Barriga e pernas de Paula teriam sido cortadas com estilete
A Justiça de Zurique, na Suíça, abriu processo penal contra a brasileira Paula Oliveira por suspeita de falso testemunho à polícia local. Ela alega ter perdido os bebês após ter sido supostamente agredida por neonazistas na semana passada. Segundo o Ministério Público local, a denúncia ocorre por ela ter alegado estar grávida, quando exames provaram o contrário. Se versão de Paula não for confirmada, ela pode ser punida com serviços comunitários ou tratamento psicológico obrigatório.
A Justiça vai intimar Paula e deverá liberá-la depois do depoimento, para que retorne ao Brasil. Segundo a Procuradoria-Geral de Zurique, um advogado já foi indicado para defender Paula e ela aceitou a oferta.
De acordo a agência de notícias BBC, a utilização de seu passaporte também foi suspensa. "Esta medida garante que a mulher permaneça na Suíça o tempo que sua presença for necessária para o inquérito e todas as providências da investigação tiverem sido tomadas", afirma o comunicado.
Paralelamente à suspeita de falso testemunho, o caso ainda segue por um outro caminho. A polícia ainda investiga se de fato Paula foi vítima de uma agressão na segunda-feira da semana passada.
Nesta terça (17), Paula deixou o hospital de Zurique em que estava internada havia seis dias por uma saída secundária para fugir da imprensa. Ela passou a noite em seu apartamento no subúrbio da cidade. Paulo Oliveira, pai da suposta vítima, havia avisado que ela sairia pela porta principal do hospital e pediu para que os jornalistas a aguardassem ali. “Sairemos pela porta da frente e de cabeça erguida.”
Mais tarde, Oliveira alegou que sua filha “entrou em desespero” ao saber da presença de jornalistas. “Ela está chocada e disse que não queria ser exposta à imprensa”, afirmou. Questionado sobre a filha não ter cumprido a promessa de sair “pela porta da frente”, ele apenas disse: “Ela não saiu pela porta principal porque não estava bem. O hospital tem muitas portas.”
Pela versão de Paula, ela foi abordada na noite de 9/2, quando voltava do trabalho, após desembarcar na estação de trem perto de sua casa. Enquanto falava ao telefone celular com a mãe, foi cercada por três skinheads. Levada para um parque, a brasileira teria sido espancada por 15 minutos e tido sua roupa parcialmente arrancada. Um deles teria usado um estilete para cortar barriga, braços, rosto, tórax e pernas e inscrever a sigla SVP, iniciais em alemão do Partido do Povo Suíço, de extrema direita.