O juiz Fábio Uchôa, do 1º Tribunal do Júri, decretou esta quarta-feira (24) a prisão de quatro policiais militares acusados de envolvimento no desaparecimento da engenheira Patrícia Franco, no Rio de Janeiro.
Os quatro foram denunciados pelo Ministério Público Estadual por ocultação do corpo da vítima e dois deles, pelo assassinato. A decisão foi tomada um ano e dez dias depois de Patrícia ter desaparecido, aos 24 anos, quando voltava para casa, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade.
Em laudo de 109 folhas, dez peritos concluíram que o carro dela foi atingido por pelo menos três tiros (dois no capô e um no para-brisa dianteiros): um partiu da pistola calibre .40 usada por um dos policiais acusados, e os outros dois de armas calibre 380 não identificadas.
Patrícia desapareceu na madrugada de 14 de junho de 2008, quando voltava de uma festa na zona sul. O corpo da engenheira ainda não foi localizado. Os PMs acusados são: Marcos Paulo Nogueira Maranhão, Willian Luis do Nascimento, Fábio da Silveira Santana e Márcio Oliveira dos Santos. Os dois primeiros foram denunciados também por homicídio. Todos negam os crimes.
O Palio dela foi encontrado na margem de um canal, na Barra da Tijuca, zona oeste. A investigação foi concluída pela Delegacia de Homicídios, depois de uma série de controvérsias e contradições durante o período em que ficou sob responsabilidade da 16.ª DP, na Barra, e da Delegacia Antissequestro (DAS).
Para o promotor de Justiça Homero das Neves Freitas Filho, autor da denúncia e dos pedidos de prisão, a falta do corpo pode eventualmente dificultar a instrução da ação penal proposta, mas não impede a denúncia. Segundo ele, a prova técnica é "muito forte". Os dois policiais que estavam de plantão na Barra teriam confundido Patrícia com criminosos e atirado no carro, que passara em alta velocidade. Desgovernado, o Palio bateu e caiu próximo ao canal. A perícia mostrou que os tiros ocorreram antes da batida. Depois, os policiais tentaram destruir provas do crime, segundo a investigação.
Um deles teria jogado uma pedra de oito quilos (encontrada no local do crime) no para-brisa para quebrá-lo e, assim, ocultar marca de tiro. Fotos anexadas à perícia mostram parte do insulfilm do carro dobrado no chão e pedaços de vidro reunidos perto dali. Segundo a perícia, marcas no cinto de segurança denotando ação de retenção indicam que uma pessoa estava ao volante quando o carro caiu no canal. O banco, porém, estava reclinado e o cinto, afivelado. O corpo, portanto, teria sido puxado pelo banco traseiro.