O ano de 2009 foi recheado de escândalos entre os políticos. O primeiro semestre ficou marcado pelo início da Crise no Senado e pela farra das passagens aéreas. Na segunda metade do ano, foi revelado um esquema de corrupção para pagamento de propina supostamente comandado pelo governador do Distrito Federal.
Primeiro semestre Em maio, o presidente do Senado (e ex-presidente da República) José Sarney (PMDB-AP) teve de se explicar publicamente pelo recebimento de verba irregular. Ele e outros 41 parlamentares recebiam irregularmente R$ 3,8 mil mensais de auxílio moradia. “Tinha a impressão de que não estava recebendo esse auxilio”, afirmou Sarney, ao garantir que devolveria o dinheiro.
Em meados de junho, o presidente da Casa foi à tribuna para prestar contas por ter o nome envolvido com a nomeação de parentes por meio de atos secretos e anunciou a criação de uma comissão de sindicância para punir os responsáveis por evitar a publicação dos atos.
Sarney subiu à tribuna do Senado para negar a existência de atos secretos e se eximir de responsabilidade em relação à série de escândalos da Casa. “Crise é do Senado, não minha”, afirmou. Em junho, após pressão pública, Sarney determinou a anulação dos atos secretos e a exoneração dos servidores nomeados por este mecanismo.
Agaciel Maia, diretor-geral do Senado indicado por Sarney em 1995 e que já havia sido demitido do cargo por não ter declarado uma casa de R$ 5 milhões, foi considerado o mentor do esquema dos atos secretos.
Na Câmara, houve dois casos emblemáticos. Um deles, o do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), quando ainda era integrante do DEM. Ele foi apontado como proprietário de um castelo avaliado entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões e corre o risco de ser cassado por falta de decoro parlamentar, por conta de acusações de desvio de verba indenizatória.
Na esteira deste escândalo, ganhou visibilidade o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS). Relator do processo contra Moreira, ele disse que não iria antecipar seu parecer por falta de provas contra o colega. Pressionado a justificar a decisão, foi enfático: “estou me lixando para a opinião pública”. Após a declaração, acabou afastado da relatoria.
Segundo semestre Um dos desdobramentos da Crise no Senado foi a indefinição do PT (Partido dos Trabalhadores) em relação ao líder da Casa. Enquanto o presidente Lula defendia Sarney, vários senadores pediam que o mesmo deixasse o cargo. Em meio a muitas reuniões da bancada, o líder do partido no Senado, Aloizio Mercadante, colocou seu cargo à disposição, alegando que não estava disposto a realizar trocas com o objetivo político de beneficiar Sarney. Chegou a anunciar em sua página no microblog Twitter que sua decisão de deixar o cargo era irrevogável.
No entanto, após uma conversa com Lula, Mercadante voltou atrás e retomou seu lugar de mediador da crise. O também senador pelo PT Eduardo Suplicy, por outro lado, chegou a subir na tribuna da Casa e mostrou um cartão vermelho pedindo a renúncia de Sarney da presidência do Senado.
A ministra da Casa Civil e provável candidata à Presidência Dilma Rousseff também se viu envolvida em uma polêmica este ano. A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, acusou a ministra ter pedido aceleração nos trabalhos de investigação de uma auditoria realizada nas empresas da família Sarney.
Já no fim do ano, outro escândalo apareceu em Brasília. A Operação Pandora, da Polícia Federal, revelou um suposto esquema de corrupção na capital federal. O governador do estado, José Roberto Arruda (DEM), é acusado de ser o principal beneficiado pelo esquema de corrupção que desvia recursos públicos para pagamento de propina a parlamentares da base aliada ao governo.
Além de Arruda, gravações em vídeo também comprometem o presidente da Câmara, Leonardo Prudente (DEM), a líder do governo, Eurides Britto (PMDB), o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) Rogério Ulysses (PSB); entre outros.