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26/04/2009 - 09:41
Agência Estado

Correr vira estilo de vida nas metrópoles

Agência Estado
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Por AE

Rio - Não precisa pagar mensalidade nem cumprir horário. Só é preciso um caminho e um bom par de tênis. A recompensa aparece logo: emagrecimento, manutenção do peso e disposição, mesmo para quem não abre mão dos prazeres à mesa. Por isso a corrida de rua é o esporte que mais cresce no mundo. E ser corredor vem extrapolando os limites da forma física e se tornando um estilo de vida, especialmente nas metrópoles.

A Corpore, uma associação de corredores sem fins lucrativos com sede em São Paulo, tinha 227 mil praticantes cadastrados no final de 2008, um crescimento de 24,7% em relação a 2007 e 26 vezes maior do que o número registrado em 1997, quando a entidade contabilizava 8,5 mil corredores no Brasil. A entidade, fundada em 1982, foi criada para apoiar maratonistas brasileiros que corriam no exterior, como Joaquim Cruz, medalhista de prata em Olimpíada. Na época, seus associados eram atletas porque a legislação não permitia profissionalização de maratonistas.

Nos anos 90, o número de corredores amadores começou a aumentar. “No fim dos anos 80, a maioria dos praticantes corria por recomendação médica. Depois o foco mudou para a forma física e o que vemos hoje é que a corrida se tornou um estilo de vida”, analisa o presidente da Corpore, o psicoterapeuta David Cytrynowicz, de 61 anos.

As corridas de rua perderam o foco na competição e se transformaram em eventos de lazer e confraternização. Enquanto alguns gostam de correr sozinhos e veem no esporte a chance de um momento de introspecção, boa parte dos esportistas tem vida social em torno da corrida. Ter companhia é um dos motivos que levam os corredores a associarem-se a uma equipe. Na orla do Aterro do Flamengo, Leblon, Ipanema e Lagoa, no Rio, há mais de dez de tendas onde, por um preço menor do que o de uma academia, os corredores têm treinamento individual.

Cuidados

Apesar de ser um esporte que pode ser praticado por qualquer pessoa, a corrida pode provocar lesões e até a morte, como foi o caso do brasileiro José Carlos Gomes, de 58 anos, que morreu na Maratona de Nova York, no ano passado. “A atividade física melhora o coração, mas se ele estiver fraco demais ou houver uma doença cardíaca preexistente e ignorada, pode matar”, explica o médico de esporte Miltom Mizumoto.

Por isso, antes de começar a correr, especialmente homens acima de 35 anos e mulheres acima de 45 devem fazer um eletrocardiograma de esforço e um hemograma, recomenda. Entre os benefícios da corrida estão a melhora no condicionamento físico e a prevenção ou melhora da diabete e da pressão arterial. Nos primeiros três meses, já se consegue a melhora na saúde. Depois disso, começam os ganhos na performance. Mas o médico pondera. “Se botar treino em cima de treino, o músculo estoura. Comer e não fazer nada também tem de fazer parte do treinamento.”

 

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