21/10/2008 - 09:10 (atualizada em 21/10/2008 11:19)
Corpo de Eloá Pimentel é enterrado em Santo André
Cerca de dez mil pessoas participaram da cerimônia, segundo o cemitério
Da Redação
O corpo de Eloá Pimentel, de 15 anos, morta no desfecho do cárcere privado feito por seu ex-namorado, em Santo André, na Grande São Paulo, foi enterrado nesta terça-feira (21). Cerca de dez mil pessoas participaram da cerimônia, segundo a administração do Cemitério Jardim Santo André.
A mãe, Ana Cristina Pimentel, acompanhou o trajeto do caixão da sala do velório para o jazigo. Ela usava uma camiseta com a foto da filha, assim como os irmãos de Eloá. O pai, que tem problemas de saúde, não foi visto. Jovens que estudavam com a adolescente aplaudiram enquanto o caixão com o corpo Eloá era transportado.
No momento do sepultamento, familiares deram as mãos e jogaram flores sobre o caixão. A mãe e um dos irmãos, que participou das negociações e era amigo de Lindemberg, ficaram abraçados.
No fim da cerimônia, a família saiu escoltada pela polícia em meio à multidão que estava no cemitério.
Depoimento da mãe
Ana Cristina, que nesta segunda (20) teria chegado a desistir de ficar no cemitério por causa da multidão, deu um depoimento no fim da noite, ao lado de amigos da filha. Ela disse que conseguirá perdoar o seqüestrador Lindemberg Alves, de 22 anos, mas espera que “justiça seja feita”.
Ana ainda afirmou que a polícia, em particular o Grupo de Ações Táticas Especiais, não teve culpa de nada. “Eles lutaram como eu lutei, eles choraram como eu chorei.”
Seqüestro
Ao lado de sua amiga Nayara Rodrigues, também com 15 anos, que acabou sendo baleada na boca, Eloá foi mantida refém pelo ex-namorado Lindemberg Alves, de 22 anos, dentro de seu apartamento. Elas só foram soltas depois que policiais entraram no local ao ouvir disparos, segundo o coronel Eduardo Félix, comandante do batalhão de choque da PM. Ainda há dúvidas se houve tiros antes da invasão policial.
Doação
A família de Eloá decidiu doar os órgãos da filha que não foram prejudicados pelas duas balas. O coração foi para uma mulher de 39 anos, que tinha um problema de cardiopatia congênita. Fígado, rins, pâncreas e pulmões também foram transplantados.