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23/07/2009 - 12:37 (atualizada em 23/07/2009 13:03)

“Uma coisa é roubar, outra coisa é pedir emprego”, diz Lula

Presidente voltou a defender o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), denunciado no Conselho de Ética da Casa

Da Redação
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta quinta-feira (23) o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), envolvido em uma série de denúncias que incluem contratação de parentes na Casa, edição de atos secretos e um suposto esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

Em entrevista à "Rádio Globo", o presidente Lula afirmou que as denúncias devem ser investigadas e que, antes de alguém ser julgado, “é preciso saber o tamanho do crime”.

“Uma coisa é você matar, outra coisa é você roubar, outra coisa é você pedir um emprego, outra coisa é relação de influência, outra coisa é o lobby. O que acho é que nos temos que fazer as investigações corretas”, disse o presidente. “O que você não pode é vender tudo como se fosse um crime de pena de morte.”

O discurso faz referência também ao pronunciamento feito pelo presidente durante a cerimônia de posse do novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, na quarta-feira (22). Na ocasião, o presidente pediu que o MInistério Público agisse "pensando na biografia de quem também está sendo investigado".

Na entrevista à rádio, nesta quinta, Lula lembrou atitudes tomadas pelo ex-presidente da República na tentativa de contornar a crise no Senado.“Sarney pediu para Fundação Getúlio Vargas fazer uma nova estruturação para o senado, o Sarney pediu para que a Polícia Federal investigasse a questão do emprego do seu neto.”

Sobre a pressão para que Sarney deixe o cargo, Lula comentou: “eu não posso entender que cada pessoa que tem uma denúncia tem que renunciar ao seu cargo”. “O que nós precisamos estabelecer é um processo de investigação e julgamento, aí sim a pessoa será absolvida ou condenada em função da qualidade da investigação que foi feita.”

Namorado da neta
Uma série de gravações realizadas pela Polícia Federal (PF) com autorização judicial, durante a Operação Boi Barrica, revela a prática de nepotismo explícito pela família Sarney no Senado e liga o presidente José Sarney, ao ex-diretor-geral Agaciel Maia na prestação de favores concedidos por meio de atos secretos.

Os diálogos foram divulgados na quarta-feira (22) pelo jornal "O Estado de S. Paulo".  Em uma delas, a neta de Sarney liga para o pai pedindo uma vaga na Casa para o namorado. Com a ajuda de Agaciel e do avô, o ato que nomeia o rapaz é assinado.


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