Nos primeiros instantes, parecia uma queda normal de energia. Mas foi só olhar para a rua e perceber a completa falta de luz. O microblog Twitter confirmou: informações de blecaute em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia. A partir das 22h30 daquela terça-feira, 18 estados brasileiros e o Paraguai ficaram às escuras.
No apagão do dia 10 de novembro, 28,8 mil megawatts de potência foram perdidos (40% da energia do país). Aos poucos, a eletricidade voltou, e com ela, as explicações. O problema teve início da usina binacional de Itaipu, responsável por 19,3% da energia brasileira e 87,3% da paraguaia.
A oposição criticou a fragilidade do sistema brasileiro de fornecimento de energia. O governo minimizou o “inevitável” incidente.
A ministra-chefe da Casa Civil e ex-ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, foi duramente criticada. Sua resposta: “Trabalhamos num sistema de milhares de quilômetros de rede e interrupções nesse sistema ninguém promete que não vai ter. O que nós prometemos é que não terá nesse país mais racionamento. Racionamento é barbeiragem”, evitando comparação ao apagão do governo de FHC.
A justificativa veio quase um mês depois. Em 8 de dezembro, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou o relatório, em que culpava uma falha na transmissão de Itaipu, causada por fortes chuvas.
Linhas de transmissão próximas de Itaberá (SP) não resistiram às “descargas elétricas” simultâneas. Acre, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Rondônia foram prejudicados.
O relatório final do problema ainda não foi apresentado pelo Governo. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, promete respostas definitivas ainda em 2009.