O advogado de defesa da brasileira Paula Oliveira afirmou nesta quinta-feira (19) à agência de notícias BBC que está analisando pelo menos três estratégias para defendê-la da acusação da Justiça suíça de que teria inventado agressões de skinheads. Entre elas, está usar o fato de Paula sofrer de lúpus como atenuante por seu comportamento.
"Ainda não definimos nossas táticas, mas essa seria uma delas", afirmou Roger Müller. O lúpus é uma doença que, entre outros sintomas, pode provocar distúrbios psicológicos. O mal é autoimune, ou seja, faz o sistema imunológico fabricar substâncias que atacam o próprio organismo em vez de protegê-lo.
O advogado não quis comentar a informação, veiculada pela revista suíça Die Weltwoche, de que Paula teria assinado uma confissão perante a polícia, admitindo que o ataque sofrido por neonazistas teria sido uma história inventada por ela.
Na edição que chegou às bancas nesta quinta, a revista diz que Paula assinou a confissão na última sexta (13). Na semana que vem, Paula será ouvida pelo promotor público responsável por seu indiciamento, Marcel Frei. Segundo Müller, o dia exato ainda não foi definido.
A brasileira foi indiciada na última terça-feira "por suspeita de induzir as autoridades ao erro", segundo um comunicado da Promotoria Pública, e teve seu passaporte retido para garantir sua permanência na Suíça "o tempo que sua presença for necessária para o inquérito e todas as providências da investigação tiverem sido tomadas".
Apesar de o código penal suíço prever uma pena de prisão de até três anos para casos como este, Müller descartou a hipótese de Paula ser presa. "Esta não é uma possibilidade realista no caso da Paula, ela não vai ser presa", afirmou Müller, sem dar explicações para "não antecipar a investigação".
Mas, o advogado sugeriu que o caso de Paula é mais grave do que outros parecidos, ocorridos na Suíça, em que pessoas inventaram ou encenaram supostos ataques. Esses casos, segundo Müller, foram de "menor importância e gravidade leve".
Entenda a doença “Essa manifestação pode aparecer em qualquer órgão ou sistema, como coração, sistema nervoso central ou pele”, explica a professora titular de reumatologia da Universidade de São Paulo, Heloísa Bonfá. Mas os médicos não sabem o que causa o problema.
No entanto, os sintomas mais comuns são uma combinação de artrite com lesões no rosto. Esses machucados são sensíveis ao sol e aparecem como uma mancha vermelha, principalmente nas bochechas e na parte de cima do nariz.
A doença também pode acarretar em derrames, paralisia, quadros de depressão e dificuldade de memória. Em casos mais graves, quadros psiquiátricos também podem aparecer. O paciente pode ter alucinações ou apresentar quadros psicóticos clássicos, como ter um ataque e quebrar objetos.
No entanto, este diagnóstico é difícil de ser feito. “Mesmo em paciente com lúpus é preciso descartar outras possíveis causas para o quadro psicológico. Uma infecção no Sistema Nervoso Central poderia gerar um quadro psicótico, por exemplo”, diz Heloísa.
A grande maioria dos pacientes que apresentam lúpus são mulheres entre os 20 e 30 anos. A proporção de mulheres e homens que têm a condição é de 9 para 1. Ainda não existe cura para a doença, cujo tratamento consiste em controlar a sua manifestação.
Histórico Na semana passada, Paula se apresentou à polícia da Suíça alegando que tinha sido atacada por skinheads após voltar ao trabalho. Eles teriam cortado seu corpo com estilete e a agressão teria feito Paula ter um aborto. Desde o início, as autoridades suíças duvidaram da versão da brasileira, o que causou atritos entre os dois países.
Na sexta, o Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique afirmou que exames revelaram que Paula mentiu sobre a gravidez. Nesta quarta (18), jornais suíços afirmaram que a brasileira já teria confessado à polícia que inventou o caso da agressão.