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16/07/2010 - 17:22 (atualizada em 16/07/2010 17:32)

Adolescente mentiu sobre cor de pele de "Bola" por medo, diz delegada

“Ele (o 'Bola') lhe deixa apavorado, lhe remete a um filme de terror”, disse Ana Maria Santos; o menor de idade ficou “muito perturbado mentalmente” e tem tido dificuldades para dormir

Da redação

A delegada Ana Maria Santos, de Contagem (MG), afirmou nesta sexta-feira (16) que o adolescente de 17 anos, primo do goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, mentiu sobre a cor de pele do suposto executor de Eliza Samudio, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o “Bola”, porque tem medo. “Ele (o 'Bola') lhe deixa apavorado, lhe remete a um filme de terror”, disse.

Ana Maria afirmou que o menor de idade, testemunha-chave na investigação do desaparecimento e possível assassinato da ex-amante de Bruno, está “muito perturbado mentalmente” devido à execução de Eliza e tem tido dificuldades para dormir. “A imagem de Eliza lhe vinha repetidamente à mente”, afirmou.

O adolescente teria confirmado em depoimento que procurou o tio após a execução da jovem para buscar “apoio emocional, para se sentir mais seguro”.

Ele teria dito ainda que não tem natureza assassina e foi “convidado pelo ‘Macarrão’ a dar um susto em Eliza”. Segundo a delegada, “ele enfatiza que o intuito era só participar do susto e que a coisa se desdobrou”.

A delegada disse que o menor já está sendo assistido por advogado e só voltará a depor em juízo.

Desqualificação
O delegado Edson Moreira negou que os depoimentos prestados pelos dois primos de Bruno, o adolescente e Sérgio Rosa Sales, o “Camelo”, possam ser desqualificados por apontarem supostas contradições. Para ele, “os depoimentos deles são contundentes, têm lastro”.

Moreira usou como exemplo a precisão da descrição dos cômodos do sítio de “Bola” e do trajeto entre o sítio do goleiro em Esmeraldas e o local da execução.

Entenda o caso
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho. O último contato conhecido dela foi com a advogada Anne Faraco, que acompanhava o reconhecimento da paternidade do filho de quatro meses que dizia ser de Bruno Fernandes, à época goleiro e capitão do Flamengo. Eliza avisou no telefonema que iria a Minas Gerais encontrar o jogador, pois ele havia concordado em fazer um exame de DNA.

Nos meses anteriores, a modelo tinha levado à imprensa do Rio de Janeiro a notícia de que estava grávida de Bruno. A criança teria sido concebida no primeiro encontro dos dois em um churrasco em maio de 2009, quando o atleta já era casado com Dayanne Souza.

Em outubro, Eliza denunciou ter recebido ameaças de Bruno, que pressionava para que abortasse a criança. A Justiça determinou que o atleta mantivesse, pelo menos, 300 metros de distância dela.

Quando o bebê nasceu, em fevereiro deste ano, a ex-amante passou a negociar as condições para que Bruno assumisse a paternidade. Ela batizou a criança com o mesmo nome do jogador. Um mês depois, ela foi ao Rio e enviou uma mensagem para sua advogada: "Estou no mesmo hotel que fiquei aquela vez, se acontecer algo, já sabe quem foi". O advogado do jogador rejeitou o acordo proposto por ela na ocasião.

Em 24 de junho, a Delegacia de Homicídios de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, onde ficava o sítio de Bruno, recebeu uma denúncia de que Eliza havia sido levada para o local, onde teria sido assassinada. Foi quando as polícias fluminense e mineira começaram as buscas por Eliza.

Dois dias depois, a mulher do jogador, Dayanne, foi autuada “por subtração de incapaz” por ter entregado filho de Eliza a uma amiga.

Na segunda-feira (28 de junho), a Polícia de Minas Gerais fez as primeiras buscas no sítio do atleta. No dia seguinte, a perícia encontrou vestígios de sangue no carro de Bruno, retido por falta de licenciamento em uma blitz no dia 8 do mesmo mês. Mais tarde, um exame mostrou que se tratava do sangue de Eliza.

A testemunha-chave do caso, um adolescente de 17 anos, que é primo do goleiro, apareceu em 6 de julho e confirmou ter participado do seqüestro de Eliza, ao lado de Luiz Henrique Romão - mais conhecido como “Macarrão”, que era funcionário de Bruno.

O menor de idade disse que ambos levaram a mulher para o sítio do jogador e que, de lá, ela havia sido entregue ao traficante e ex-policial civil Marcos Aparecido do Santos, conhecido também como “Bola”, “Paulista” e “Neném”, na cidade de Vespasiano, na Grande Belo Horizonte. Ele seria o responsável pela morte de Eliza, por estrangulamento.

O adolescente disse ainda que o traficante desmembrou a mulher e deu as partes do corpo dela para que cachorros comessem. Segundo a Polícia de MG, Bruno teria acompanhado a entrega de sua ex-amante ao criminoso e presenciado o assassinato.

Bruno, sua esposa e Macarrão, além de mais cinco pessoas envolvidas no crime, tiveram sua prisão decretada após o encerramento do depoimento do adolescente, no dia 6 de julho.

O jogador e seu funcionário já foram indiciados pela Polícia do Rio pelo sequestro ocorrido em junho deste ano e, pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ), por sequestro, cárcere privado e lesão corporal, por conta do incidente de 2009, onde teriam tentado forçar Eliza a abortar a criança que ela carregava.

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