01/01/2009 - 09:15 (atualizada em 01/01/2009 09:25)
Acordo ortográfico: o que muda na língua portuguesa a partir de 2009
Abril.com adota as mudanças a partir desta quinta-feira; Entre as alterações, estão o fim oficial do trema e a eliminação de acentos diferenciais em palavras como para, pelo e polo
A partir desta quinta-feira (1º), o novo acordo ortográfico da língua portuguesa começará a fazer parte do nosso cotidiano. Governos e empresas brasileiras terão quatro anos para incorporar de forma gradual as mudanças sugeridas. Já em Portugal, esse prazo será maior: de seis anos. Veja o que muda na língua portuguesa com o novo acordo ortográfico.
Apesar do longo período, muitas editoras nacionais de livros e de revistas se adiantam para adotar as novas regras. O Abril.com passará a adotar as novas propostas também a partir do primeiro dia do ano. Já o governo federal, por exemplo, promete atualizar todos os livros escolares já para o ano letivo de 2010.
Proposto pela Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa (CPLP), o acordo pretende uniformizar a ortografia dos oito países falantes do idioma (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste). Juntos, eles somam uma população estimada em 230 milhões de pessoas (sendo 190 milhões só do Brasil). Com o acordo, a língua portuguesa deixará de ser a única com duas ortografias e poderá ser classificada como idioma oficial na Unesco.
A discussão sobre essa unificação não é de agora. A primeira iniciativa em conjunto com todos os países lusófonos foi encabeçada pelo governo brasileiro em 1986 (só o Timor Leste ficou de fora, porque ainda não era um país independente). O acordo proposto à época era ousado, com intenção de unificação de 99,5% do vocabulário - no acordo atual, essa porcentagem é de 98%. Entre as regras, existia uma, por exemplo, que acabava com o acento agudo em todas as palavras proparoxítonas e paroxítonas. Assim, numa tacada só. Exemplo: “grávida” e “pedágio”, respectivamente, perderiam seus acentos. Só as oxítonas escapariam do escalpe. Portugal não concordou com a proposta.
Dois anos depois, esse projeto incorporou concessões de Portugal e deu origem ao anteprojeto do acordo ortográfico que será adotado agora. Em 1990, ele foi assinado por todos os países falantes da língua portuguesa. De lá para cá, sofreu algumas modificações e, a partir de 2004, a maioria dos povos lusófonos ratificou o documento. São eles, na sequência: Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal, que foi o último a aderir, em agosto de 2008, o que, aliás, acelerou o processo de adoção de fato das novas regras com o estabelecimento de um cronograma oficial para implantação.
Mas a sociedade portuguesa ainda está reticente. Enxerga o acordo como uma autorização para o “abrasileiramento” de sua língua-mãe. Para o professor Pasquale Cipro Neto, ainda há uma possibilidade real de desistência de Portugal: “Embora o presidente português já tenha sancionado a lei, há uma forte resistência popular, de intelectuais, formadores de opinião e de editoras de lá. O que seria um acordo de unificação pode distanciar ainda mais a língua”, diz. Assim iriam por água abaixo as metas previstas pela unificação: aproximar os países lusófonos para negócios futuros, reduzir os custos com a produção e adaptação de livros e simplificar algumas regras gramaticais.
Mas nem era para tanto estardalhaço. Colocadas na ponta do lápis, as mudanças são pequenas: vão afetar 0,43% do vocabulário brasileiro e 1,42% do português. As novas regras incluem mudanças de acentuação, a eliminação do trema, empregos diferentes para o hífen, entre outros novos padrões. “Pela força do hábito, os novos padrões serão incorporados gradualmente, assim como já aconteceu antes”, opina Eduardo Lopes, professor de língua portuguesa do Curso Anglo Vestibulares.
Críticas Apesar de não serem muitas, as mudanças propostas pelo novo acordo têm gerado polêmica entre gramáticos, dicionaristas e editores brasileiros. O professor Pasquale condena o decreto: “[O acordo] é inútil. Os custos dessa mudança são muito maiores que os benefícios. Será preciso reescrever tudo. Criará uma instabilidade na grafia, os meios de comunicação sofrem. Isso só aumenta a confusão da língua”, afirma.
O hífen, por exemplo, vai continuar a existir com novas regras - e continuar a atrapalhar a vida do brasileiro. “A melhor saída para resolver as dúvidas ainda será a consulta”, diz Pasquale. Perdeu-se a oportunidade de se fazer “uma regra mais econômica e simples de emprego do hífen”, na visão do professor Eduardo Lopes.
Paulo Geiger, coordenador do projeto digital do dicionário Caldas Aulete, da Lexikon Editora, acredita que o acordo só vai confundir a cabeça dos falantes daqui, mas isso será passageiro: “Há uma grande celeuma em torno disso, mas na verdade é uma coisa muito simples. Uma vez absorvida a regra, não há o que temer”, afirma. A versão online do dicionário já passa por alterações desde a primeira semana de outubro deste ano.
Para Geiger, o acordo não garantirá a unificação do idioma entre os países que falam português: “Algumas formas ortográficas existentes hoje no Brasil e em Portugal continuam valendo. São os casos de “Antônio” e “polêmico”, que se escrevem com acento agudo em Portugal (“António” e “polémico”). Além disso, a semântica vai continuar a mesma. A 'fila' do Brasil vai continuar sendo a 'bicha' de Portugal”, afirma.
O acordo também esconde algumas imprecisões. As regras para o emprego do hífen são, de longe, as que acumulam mais interrogações. Pelo acordo, nas formações em que o prefixo termina em vogal diferente, o hífen cai. Mas e as que terminam com consoantes iguais, como “sub-bloco”, ou “sub-base”, por exemplo? Elas vão ficar com um duplo b, tipo “subbloco” e “subbase”? Não há menção no acordo.
Outra regra atesta que todas as palavras de espécies biológicas e geológicas formadas por justaposição devem levar o hífen. Mas a palavra “madressilva” continua sem ele...
A lista com as mudanças, divulgada pela CPLP, não relacionou todos os exemplos possíveis para cada regra. Isso, na visão dos especialistas da língua, é bem ruim. Um enigmático “etc.” figura no fim de todas as listas de exemplos divulgadas, o que não tem ajudado na consulta e solução de dúvidas que vêm surgindo.
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{'nome': 'Carlos Duarte','email': '','texto': 'concordo com este texto http://uaonline.ua.pt/detail.asp?c=13803'}
(15/10/2009 01:10)
{'nome': 'EVA BARROS DOS SANTOS MÓNICA','email': 'evabarrossantos@hotmail.com','texto': 'Moro em Portugal desde 2006 e não concordo com essas mudanças, acho que cada país deveria ficar com sua ortografia, o que deveria era estudarmos para aprendermos as diferenças, pois ao contrário do que comentaram, há sim diferenças tanto faladas como escritas, se não houvesse, não estariam com esse acordo!!!'}
(08/09/2009 03:34)
{'nome': 'Catarina','email': '','texto': 'Sinceramente, eu acho esta mudança uma tremenda estupidez. As pessoas vão ter que aprender a escrever de novo e vai haver muitos gastos só com as modificações. Acho que as duas escritas estão bem assim. Eu, sendo portuguesa, consigo entender perfeitamente os textos brasileiros. '}
(28/07/2009 04:15)
{'nome': 'M Fernandes','email': '','texto': 'Eu acho isto tudo uma perda de tempo (ja para nao falar financeira). Qual e o problema em se escrever e falar de modo (ligeiramente) diferente? Se estudou no Brasil as regras gramaticais sao ligeiramente diferentes das dos outros paises (sim que nos outros paises, sendo ex-colonias relativamente recentes de Portugal, as regras gramaticais seguiriam as de Portugal) e sendo assim nesse pais elas deveriam ser seguidas. Nos outros paises outras regras (ligeiramente) diferentes seriam seguidas. Eu leio livros do Brasil e de Portugal e nunca tive nenhum problema de entendimento. Claro que escrevo segundo a regras gramaticais que aprendi quando crianca, mas isso nao deveria ser um problema. Deveriamos festejar a diversidade e dedicar-mo-nos ao que e importante, nao a acordos ortograficos deste tipo...'}
(18/07/2009 01:48)
{'nome': 'renan rochete','email': 'renan@slipknot25.com','texto': 'cade o ronaldo nessa historia'}
(26/05/2009 07:46)
{'nome': 'Rosemary','email': '','texto': 'Eu estudo em Portugal e estou à vontade para dizer que a língua portuguesa escrita é práticamente igual, tanto aqui como no Brasil. O que mais difere é a língua falada nos termos usados nos respectivos países. É tudo uma questão de adaptação às pequenas diferenças do acordo ortográfico.(http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx)'}
(28/03/2009 12:00)
{'nome': 'Rosemary','email': '','texto': 'Eu estudo em Portugal e estou à vontade para dizer que a língua portuguesa escrita é práticamente igual, tanto aqui como no Brasil. O que mais difere é a língua falada nos termos usados nos respectivos países. É tudo uma questão de adaptação às pequenas diferenças do acordo ortográfico.(http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx)'}
(28/03/2009 12:00)
{'nome': 'marcelle','email': '','texto': 'beija-flor continua com o hifen '}
(06/03/2009 12:00)
{'nome': 'jaqueline nunes doe santos','email': 'jacknunes_01@hot.com','texto': 'eu acho que esse acordo vai ajudar muitas pessoas que irão prestar o vestibular e que ficam com dúvidas em relação ao acento com esse acordo logo todos ja irão se adaptar e será mais fácil'}
(02/03/2009 12:00)
{'nome': 'marlon','email': 'marlonmn14@hotmail.com','texto': 'achei uma coisa muito orivel,mas se for para melhorar o ensino e facilitar sera bom mais se for para conmplicar comigo nao rola. mundo novo ms marlon bruno'}
(16/02/2009 12:00)
{'nome': 'andrea','email': 'morenaflor_eu@hotmail.com','texto': 'a gramática normativa,deveria ficar mais acessível as pessoas, de forma que a língua portuguesa,passasse a ser mais simples em suas regras. a própria linguística vem para defender a ideia(já sem acento agudo) de que o entendimento da mensagem deve prevalecer. sendo assim tornando mais próximos os leitores de suas literaturas. talvez este seja o caminho, para uma maior aproximação da escrita, leitura e seu decodificador.'}
(10/01/2009 12:00)
{'nome': 'Vivianne silva','email': '','texto': 'Acredito que se há mudança,que ela venha para facilitar correto? Vocês ñ acham q.facilitariam a nossa leitura,se agente usásse o ponto interrogativo no início?(como no espanhol e assim sucessivamente).assim a nossa leitura teria mais êxito.Falo também por aqueles q.têm dificuldade em levar a frente um texto.'}
(07/01/2009 12:00)
{'nome': 'karla','email': 'karla.beatriz14@hotmail.com','texto': 'gostei de mais atezar das pessoas ja estar acostumadas com as antigas formas de usamos a lingua portuguesa'}