Paes gasta 13% do que arrecada em pesquisas que guiam a campanha
Reuters
Por Carla Marques
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O candidato do PMDB à prefeitura
do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, gastou 477,5 mil reais com
pesquisas eleitorais, o que corresponde a aproximadamente 13
por cento do que arrecadou até agora para a sua campanha.
Paes parece ter herdado do atual prefeito Cesar Maia (DEM),
com quem começou na política carioca e foi subprefeito de
Jacarepaguá e Barra da Tijuca, a obsessão por pesquisas para
orientar seus passos na disputa eleitoral.
De acordo com os dois relatórios de prestação de contas de
campanha, entregues em agosto e setembro ao Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), Paes já gastou 477.580 reais com pesquisas e
testes eleitorais. O valor significa aproximadamente 13 por
cento do total arrecadado pelo candidato (3.735.550 reais).
De todos os concorrentes à prefeitura carioca, além de
Paes, apenas Jandira Feghalli (PCdoB) investiu 39.585 reais em
sondagens.
Para o cientista político, professor da Uerj e presidente
do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), Geraldo
Tadeu, o crescimento eleitoral de Paes se deveu, em grande
parte, ao uso intensivo de informação e de especialistas de
diversos setores.
Ele lembra que o candidato já declarou a concentração da
campanha fora da Zona Sul para, conscientemente, atingir a
faixa do eleitorado de menor renda, na qual predominava
inicialmente o candidato Marcelo Crivella (PRB).
"Desde setembro do ano passado, quando o IBPS começou a
monitorar os candidatos, o Crivella tinha entre 35 por cento e
40 por cento das intenções de voto das categorias que recebiam
de um a dois salários mínimos. O Eduardo Paes conseguiu crescer
em cima do Crivella, conquistando justamente esse público",
atestou.
De acordo com recente pesquisa do Ibope, entre agosto e
setembro, Paes cresceu 17 pontos percentuais entre os eleitores
que recebem até dois salários mínimos, enquanto Crivella perdeu
3 pontos. O período foi marcado pelo acirramento das campanhas
de rua e na televisão.
Empatado tecnicamente com Paes na última pesquisa Ibope,
Crivella também enfrenta outro obstáculo: a dificuldade de
captar doações para sua campanha. No primeiro relatório
entregue ao TSE, o candidato revelou ter recebido 167.055,20
reais apenas de pessoas físicas e em espécie. Na segunda
declaração de gastos, prevaleceram as doações de pessoas
físicas (172.535,20 reais) em relação às jurídicas (125 mil
reais). O déficit de arrecadação entre Paes e Crivella é de 3
milhões de reais.
O revés financeiro já obrigou o evangélico a enxugar sua
equipe de marketing, capitaneada pelo publicitário Duda
Mendonça. Segundo Geraldo Tadeu, além do orçamento mais
expressivo, o peemedebista tem uma estrutura política mais
forte do que o candidato do PRB.
"Eduardo Paes tem apoio de três partidos fortes: o PMDB, o
PP e o PTB. A coligação de Crivella é toda formada por legendas
pequenas. Também há mais vereadores com Paes do que com
Crivella. Sem contar que Paes tem suporte do governo estadual e
de toda sua máquina, então consegue penetrar onde o governo tem
influência, como nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento 24h),
nas escolas estaduais...", afirma o cientista político.
Para Geraldo Tadeu, a vantagem de Paes não tem relação com
seus discursos e promessas políticas: "Não há qualquer elemento
sedutor no discurso dele que justifique o crescimento. Na
melhor das hipóteses, são as UPAs. Mas, em geral, a população
de baixa renda não presta atenção em discurso, mas na imagem do
candidato e num conjunto de fatores subjetivos".