17/02/2006 - 12:19 (atualizada em 03/09/2008 23:38)
Clonagem de celulares assusta consumidores e move operadoras e fabricantes
Fraude ocorre quando o celular opera fora da área de origem do aparelho
Guilherme Guimarães
O celular tornou-se tão popular no nosso dia-a-dia que já alcançou uma posição de destaque na lista de reclamações do Procon, aparecendo em terceiro lugar, atrás de operadoras de cartões de crédito e planos de saúde. Umas das principais queixas diz respeito à clonagem do número dos aparelhos.
Clonar um celular significa copiar a freqüência de um aparelho para um outro, permitindo ao criminoso utilizar seu número sem autorização. Esta fraude ocorre quando o celular opera em "roaming" (fora da área de origem do aparelho) e em modo analógico. Quando o aparelho é ligado, ele varre a área de cobertura para buscar a melhor banda de atuação. Se não houver cobertura digital, o celular funciona no modo analógico, ou seja, transmite os dados por ondas de rádio, capturáveis pelos criminosos e configuradas em outro aparelho, o clone.
Não há um número total de casos de clonagem e as operadoras, detentoras destas estatísticas, não falam sobre o assunto. A Claro enviou uma posição oficial: "No caso da tecnologia GSM da Claro, na qual os celulares utilizam chips, não existe possibilidade de clonagem". A TIM, segunda maior operadora no Brasil, mantém o mesmo discurso, por também usar a tecnologia GSM.
Já a Vivo, líder de mercado de telefonia celular no país e que opera em redes CDMA, não fala sobre este tipo de fraudes. Em declaração oficial, a empresa diz "ter investido mais de R$ 100 milhões em sistemas anti-fraude, desde outubro de 2004" e que "casos eventualmente percebidos pelos próprios clientes são imediatamente resolvidos, sem prejuízo financeiro".
A tecnologia é um dos fatores que podem facilitar a clonagem do aparelho. As redes GSM são totalmente digitais, o que exigiria supercomputadores para processar os dados da vítima. Redes CDMA competem com o modelo GSM e atuam em modo analógico em certas regiões do país, permitindo a clonagem nestas regiões. Aeroportos são lugares propícios para que esse crime aconteça, uma vez que muitas pessoas ligam seus celulares logo após descerem do avião.
Alguns aparelhos CDMA permitem que o usuário escolha qual banda será usada, digital ou analógica, o que, segundo Fiore Mangone, 35 anos, gerente de produtos da Nokia no Brasil, pode ser muito perigoso. "O ideal é que a pessoa deixe ajustado só para o digital. Se precisar muito do celular, aí então ela deve mudar para analógico."
Fiore também lembra que, em caso de fraude, a responsabilidade é toda da operadora e não da fabricante do aparelho. Isto porque o crime não depende do aparelho, mas da rede e da tecnologia da operadora.
Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), dificuldade de completar chamadas e de acessar a caixa de mensagens, recebimento de ligações de números estranhos, queda constante nas ligações e gastos elevados com serviços são fortes indícios de que seu celular foi clonado.
A Vivo afirma que detecta a clonagem antes dos clientes em 99% dos casos, com uma equipe especializada trabalhando 24h por dia. A companhia também dá algumas dicas de como se proteger dos fraudadores: atenção à fatura e aos dados relacionados às ligações feitas, comunicar imediatamente a operadora sobre perda ou roubo do aparelho e fazer um boletim de ocorrência e só efetuar a programação do celular quando for solicitada pela Vivo.
O Procon alerta que, em caso de clonagem, a responsabilidade pela troca da linha e do aparelho é totalmente da operadora, que deve ressarcir o cliente de eventuais danos causados pela número copiado.