17/02/2006 - 12:16 (atualizada em 03/09/2008 23:38)
Vírus para celulares se proliferam com o aumento da convergência
Vírus aproveitam a tecnologia Symbian para invadir celulares durante o download de arquivos
Guilherme Guimarães
Celular com câmera digital, acesso à Internet, jogos... e anti-vírus? É isso mesmo, já existem proteções para impedir a disseminação de pragas virtuais criadas especialmente para aparelhos celulares. Os vilões desta história são os usuários imprudentes e o sistema operacional Symbian, presente em 70% dos smartphones (telefones com funções semelhantes a computadores).
Graças à convergência entre diversas plataformas tecnológicas, é possível hoje trocar arquivos entre celulares, computadores pessoais, handhelds (nome genérico para computadores de mão) e outros equipamentos através da tecnologia Bluetooth, que utiliza ondas de rádio na transmissão de dados, dispensando cabos entre os aparelhos. Os vírus aproveitam essa tecnologia para invadirem celulares durante o download de arquivos. Os danos causados por estas pragas vão desde alteração dos ícones no visor até destruição do sistema.
"Como a pessoa precisa autorizar os downloads, fica mais difícil da ameaça invadir o sistema. Portanto, nunca aceite um download por Bluetooth de uma fonte estranha", sugere Fiore Mangone, 35 anos, gerente de produtos da Nokia no Brasil. Ele afirma que a tecnologia não é o problema, mas sim os usuários, que recebem arquivos de fontes desconhecidas, sejam Bluetooth ou wapsites. Também é possível a contaminação por outro serviço de troca de arquivo, o MMS (Multimedia Message Service), mas são casos mais raros.
Com uma grande variedade de aparelhos celulares disponíveis no mercado, rodando com sistemas operacionais distintos, é difícil criar vírus para contaminar muitos deles. Percebendo o crescimento na produção e venda de smartphones, os hackers vislumbraram a oportunidade de propagarem suas ameaças. Estes aparelhos, por possuírem uma série de funções e facilitarem a troca de arquivos com outros eletrônicos, são ideais para aumentar o número de celulares infectados.
Assim como os computadores pessoais precisam de um sistema operacional, o mesmo acontece com celulares. Os smartphones, em sua maioria, utilizam o Symbian, desenvolvido para ser um sistema universal e criado em consórcio pelas fabricantes Nokia, Motorola, Panasonic, Sony Ericsson e Psion. Alguns técnicos defendem que é um hardware frágil, muito suscetível a ataques. Lúcio Costa, 35 anos, especialista em segurança da Symantec (desenvolvedora do anti-vírus Norton), tem outra visão do fato: "É o mesmo que acontece com o Windows: é o mais usado, por isso o mais visado".
A Motorola (segunda maior fabricante de celulares do planeta), apesar de ser uma das criadoras do sistema Symbian, não o utiliza em seus aparelhos. Já a Nokia, líder mundial no ramo de celulares, possui 30% de seus aparelhos com o esse sistema operacional, mas afirma introduzir em seus produtos todas as atualizações criadas para impedir a entrada de pragas.
"Instruímos nossos clientes a evitarem downloads de risco. Mas caso ocorra uma infecção, o call center e os suportes técnicos autorizados estão capacitados para resolver os problemas. Em geral, ocorrem defeitos de software e basta reinstalá-lo para consertar", conta Fiore Mangone, gerente de produtos da Nokia.
Lúcio Costa explica que a Symantec, assim como outras fabricantes de softwares de proteção, já possuem um anti-vírus próprio para os smartphones. "Não estamos alarmados com o surgimento de novos vírus, eles existem em todas as plataformas. A questão é entregarmos ao consumidor produtos capazes de detectar e eliminar tais ameaças".
Não existem casos de vírus transmitidos de celular para computadores ou vice-versa, diz Costa. André Mafra, 28 anos, gerente de conteúdos da Vivo, discorda: "Existe sim a possibilidade de contaminação entre celular e computador. Não registramos nenhum caso, mas no futuro podem aparecer ameaças que se propaguem de uma plataforma para outra".
Apesar de os vírus não se propagarem pelas redes das operadoras, estas mantém contato com as fabricantes dos aparelhos para desenvolver meios de impedir a ação das pragas. Uma das iniciativas é a criação de assinaturas digitais nos arquivos disponíveis para download, que garantem ao consumidor que nenhum vírus irá junto do download.
A Vivo, diz Mafra, afirma que a empresa não trabalha com formas de remediar vírus que invadam seus aparelhos, mas investe em maneiras de impedir que qualquer ameaça se instale nos celulares. "Não permitimos que o usuário faça download de wapsites sem homologação. Trabalhamos com profilaxia e mantemos nossos sistemas atualizados para evitar complicações para o cliente".