17/02/2006 - 11:55 (atualizada em 03/09/2008 23:38)
Saiba como evitar falhas de segurança e pragas virtuais
Tudo sobre vírus, spyware, trojan, worm, hacker, cracker, spam, phishing, pharming e falha de segurança
Guilherme Guimarães
Vírus, spyware, trojan, worm, hacker, cracker, spam, phishing, pharming e falha de segurança. A evolução das espécies chegou com força no mundo das pragas virtuais e exigem hoje uma série de ferramentas para impedir uma infecção no computador: anti-vírus, anti-spyware, anti-spam, firewall e boa dose de desconfiança.
E isto basta? Não! As duas principais causas da presença de pragas virtuais nos computadores são programas desatualizados e irresponsabilidade ao lidar com e-mails e arquivos recebidos por programas de comunicação instantânea (instant messengers). "As pessoas precisam usar a Internet de forma consciente, ou seja, não desabilitar um firewall ou anti-vírus porque está curioso para abrir um arquivo", afirma Gastão Mattos, 45 anos, criador e consultor do Movimento Internet Segura.
Segundo Gastão, 99% das fraudes online ocorrem por e-mail, o que torna indispensável a utilização de um anti-vírus que verifique as mensagens enviadas e recebidas. "Você pode estar transmitindo pragas para outras pessoas, que vão abrir seus e-mail por confiarem em você." Ele também alerta sobre os serviços de e-mails que possuem anti-vírus embutido. "Com o surgimento diário de novas ameaças, nem sempre esses sistemas estão se atualizando na velocidade em que deveriam".
Lúcio Costa de Almeida, 35 anos, especialista em segurança da Symantec (responsável pelo pacote Norton), conta sua equipe é capaz de produzir uma vacina em até quatro horas depois de descoberto o novo invasor. Apesar disso, o maior perigo está no excesso de confiança das pessoas e na falta de crença de que se pode contrair um vírus. "Ignorar o alerta do anti-vírus quando você acessa um site ou abre um e-mail pode ser a porta de entrada de uma ameaça ao seu computador. Um erro comum é compartilhar a Internet entre várias máquinas, mas só instalar anti-vírus em uma delas", diz Lúcio.
As falhas de segurança são outro ponto muito importante quanto à segurança da navegação na Internet. Elas consistem em brechas do sistema de um browser (programa usado para abrir páginas de web, como o Internet Explorer, o Firefox e o Opera), que facilitam a invasão da máquina. Roberto Prado, 40 anos, gerente de estratégia de mercado da Microsoft Brasil, afirma que 100% das falhas encontradas nos programas da companhia são corrigidas.
"Nós nos preocupamos com o usuário que não quer ficar configurando sua máquina para ter uma proteção adequada. Investimento milhões no desenvolvimento do Windows Update, um mecanismo que baixa as atualizações aos poucos, sem prejudicar a banda de conexão de Internet do usuário e sem reduzir o desempenho da máquina, por exigir pouca memória", explica Roberto.
Não é raro encontrar notícias comparando a confiabilidade dos sistemas operacionais Windows e Linux e navegadores Internet Explorer e Firefox. Os defensores do software livre criticam os produtos da Microsoft e os apontam como frágeis.
O gerente de estratégia da Microsoft se defende: "Qualquer hacker que desenvolve um vírus quer ver sua criação contaminar o maior número de computadores. Já que maioria das máquinas roda com Windows e utiliza o Internet Explorer, somos mais visados. Porém, é preciso analisar em quanto tempo cada software ganha atualizações e o tempo de garantia dos produtos. Nestes aspectos, a Microsoft é muito superior".
Roberto Prado diz que a Microsoft manteve em 2005 o número de dias de risco (tempo que cada fabricante leva entre detectar uma falha e lançar a atualização) em 25, contra 50 dias das principais concorrentes. Além disso, os produtos de código aberto exigem atualização manual e podem causar falta de compatibilidade. Outra dificuldade destes softwares é encontrar um suporte técnico especializado.
Se você não pode comprar por um pacote anti-vírus, existem boas opções gratuitas no mercado, como o AVG Anti-vírus, da Winco Sistemas LTDA e Avast!, da AL WIL Software (que foi premiado com o Vírus Bulletin 100% para Windows XP), além do o anti-spyware Ad-Aware, da Lavasoft. Outra opção muito interessante são os serviços gratuitos de varredura disponíveis nos sites de grandes fabricantes de anti-vírus, como Symantec e Mcafee. O internauta não precisa ter o produto daquela empresa para utilizar a ferramenta e pode manter seu computador livre de invasores.
O futuro
O lançamento da nova versão do Windows, o Vista, está marcada para o final de 2006. O sistema operacional deve trazer todos os avanços do firewall presente na atualização do Windows XP, o Service Pack 2, muito elogiado por profissionais ligados a proteção de computadores.
Fernando Lima, 31 anos, consultor de segurança da Microsoft Brasil, aponta qual será a principal novidade: "O usuário vai deixar de ser o administrador de sua máquina, para evitar que as pessoas executem programas maliciosos. Evidentemente, será possível tomar as rédeas do sistema, mas estamos preparando algo menos traumático, que não exija muito conhecimento técnico para ser usada com segurança".
E como serão as pragas virtuais do futuro? Segundo Alexandre Vargas, 32 anos, gerente de projetos e relacionamento da Módulo (maior empresa brasileira no ramo de proteção de redes), o perigo está nas ameaças cada vez mais indetectáveis. Já para Lúcio Costa, da Symantec, isso não é o grande problema: "Podemos varrer um sistema com eficiência e encontra ameaças. O desafio é gerar vacinas com eficiência e rapidez, para combater os novos vírus que surgem".
Messengers e e-mail dentro das empresas
O elo fraco da segurança das redes em ambientes corporativos é o usuário. Para isso, as empresas desenvolvem uma teia de proteções, com anti-vírus e firewalls, que impedem que uma praga entre em uma máquina e infecte todas as outras.
Entretanto, existe o risco de alguém acessar um e-mail particular e assim abrir uma brecha para ameaças digitais. Afinal, as empresas devem ou não ter controle sobre as páginas e e-mails abertos no ambiente de trabalho e impedir a utilização de softwares de comunicação instantânea? Para Alexandre Vargas, da Módulo, a resposta é sim: "As empresas precisam mostram aos funcionários que aquele é um ambiente de trabalho e não pode haver espaço para roubo ou perda de informações. Sou favorável ao bloqueio de e-mails pessoais nesses ambientes".
A gerente de produtos de segurança da Microsoft Brasil, Ana Cláudia Alves, 34 anos, acredita que usuários conscientes resolvem o impasse. "E-mails e messengers, em especial o MSN, são extremamente seguros. Basta que as pessoas não abram arquivos estranhos". Portanto, não abra a porta para estranhos, como já dizia a sua mãe!