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27/08/2008 - 14:03 (atualizada em 03/09/2008 23:55)

Vôlei feminino chega com sensação de dever cumprido

Meninas revelam que não compreenderam o tamanho do título até o desembarque; Zé Roberto desabafa e rasga elogios a Fofão

Lucas Amorim

A seleção feminina de vôlei chegou ao Brasil nesta quarta-feira (27) sem um enorme peso nas costas. Com a conquista do ouro em Pequim, quatro anos depois da semifinal traumática de Atenas, a sensação de alívio era evidente no semblante das 12 jogadoras e, sobretudo, do técnico José Roberto Guimaraes. “Chego com uma sensação de dever cumprido”, disse o comandante, com os olhos cansados, durante entrevista coletiva. “Tirei quilos e quilos das minhas costas”.

Zé Roberto revelou que até ele se surpreendeu com a campanha das meninas nos Jogos Olímpicos. “Foi irrepreensível. Nem eu esperava que o título viesse com apenas um set perdido. Vi um grupo muito focado o tempo inteiro na Vila Olímpica. Essa vitória foi muito importante não só para o grupo, como para vôlei brasileiro. Agora, elas precisam saber que a responsabilidade delas aumenta porque vão ter que se manter entre as melhores”, afirmou.

A levantadora Fofão também não conseguiu esconder a euforia, principalmente porque o campeonato marcou sua despedida da seleção, aos 38 anos. “A equipe trabalhou muito duro nestes últimos quatro anos e graças Deus conseguimos o resultado esperado”, enalteceu.

O treinador aproveitou a oportunidade para fazer uma verdadeira declaração à atleta. “[Após o título] fiz questão de agradecer à Fofão. Todas as jogadoras foram o pulmão do time, mas a Fofão foi a alma da equipe”, disse.

Percurso até Pequim
Zé Roberto revelou ter passado momentos difíceis na preparação para Pequim e apontou sua família como determinante na recuperação após a Olimpíada de 2004. “Um pedaço de mim ficou em Atenas. Se não fosse o apoio da família, não teria forças para continuar nestes últimos quatro anos”, disse, emocionado.

Lucas Amorim/Abril.comApesar dos obstáculos no trajeto até o ouro, Zé Roberto já havia detectado a possibilidade de alcançar o topo do pódio na China. “Eu sempre soube que a vitória olímpica do vôlei feminino era questão de tempo. No masculino também foi assim. O time perdeu títulos importantes até conseguir o ouro olímpico”, lembrou.

Com as meninas, ele acredia que o título vei na hora certa. Se viesse em 2004, avalia, não seria merecido. “Naquele momento, o trabalho foi muito truncado”, analisou. “Comecei no cargo em 2003 e não conhecia o suficiente da nossa equipe, nem dos adversários”. Dessa vez, porém, ele fez tudo que planejou. Conseguiu, inclusive, realizar quase todas as 150 partidas internacionais programadas – foram 138.

Hegemonia mundial
Para Zé Roberto, a seleção brasileira feminina tem plena condições de se manter no topo do vôlei mundial pelos próximos anos e, quem sabe, repetir os feitos da equipe masculina, que durante oito anos conquistou os principais torneios do calendário. “As meninas ainda são jovens, mas precisam manter o pé no chão”, avisou.

“Elas têm que comemorar, mas precisam saber que ainda têm muita coisa pela frente. Para chegarmos perto do que a seleção masculina conseguiu, ainda falta muito”. O desafio mais imediato, explicou, é troca da levantadora. Depois de cinco olimpíadas e 17 anos de seleção, Fofão já anunciou a saída da equipe, aos 38 anos. “Substituí-la não vai ser fácil”, alertou o treinador.

Para se manter no topo, o treinador avalia, mesmo sem revelar se continua no cargo, que o ciclo olímpico que se inicia deve ser como o último: extremamente planejado. Foi esse planejamento que permitiu, por exemplo, a correção de falhas históricas da equipe, como no bloqueio. Esse fundamento foi um dos mais trabalhados antes de Pequim. "Foi o ponto em que mais evoluimos e mostrou-se fundamental para a conquista", disse a central Fabiana, referência da equipe na rede.

REUTERS/Paulo Whitaker

Amarelonas?
A palavra que Zé Roberto e as jogadoras mais ouviram nos últimos quatro anos, desde a derrota para a Rússia na semifinal dos Jogos de Atenas, foi “amarelonas”. “A gente ficava maluco com isso”, reconheceu o treinador.

Protagonista daquela partida de 2004, a ponteira Mari afirmou que precisou de tempo para se dar conta do título de Pequim. “Quando a Logan Tom [jogadora americana] atacou para fora, nem percebi que a partida tinha acabado”, disse. “Eu ainda tinha brincado com a Fofão: hoje é meu aniversário e quero atacar a última bola, mas nem precisou”, brincou.

Dimensão da medalha
De acordo com ela, as outras meninas também não entenderam de imediato a importância do ouro olímpico. “No vôo, nós estávamos até apreensivas com a recepção que teríamos no Brasil. Quando estávamos chegando ao aeroporto [de Guarulhos], percebemos dois caças da Força Aérea Brasileira [FAB] nos acompanhando. Os pilotos acenaram para nós e aí ficamos emocionadas e começaram a dar conta do que o título representava. A ficha começou a cair”, afirmou.

A seleção brasileira de vôlei desfila em carro aberto do Corpo de Bombeiros, nesta quarta-feira (27), pelas ruas da cidade de São Paulo.

 

Por CLIMATEMPO

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