22/08/2008 - 09:50 (atualizada em 03/09/2008 23:54)
Maurren Maggi conquista 1º ouro feminino na história do atletismo
A brasileira ficou com o ouro depois de conquistar um ótima marca no primeiro salto
Da Redação
Michael Phelps, Usain Bolt, Yelena Isinbayeva. Exemplos de atletas que conseguiram feitos históricos nos Jogos Olímpicos de Pequim. A proporção não é a mesma, mas Maurren Maggi entrou nesta sexta-feira no rol de "imortais" do esporte. Ao vencer o salto em distância, ela se tornou a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha de ouro olímpica em uma prova individual.
O tamanho da vitória heróica do atletismo nacional feminino em uma edição dos Jogos corresponde a 7,04 m. A distância pode até parecer pequena, mas a dimensão do feito, no entanto, é infinitamente maior do que o salto que deu o inédito ouro à atleta de 32 anos.
A façanha ganha tom ainda mais épico por causa da história olímpica -e de vida- de Maurren. Ela estreou em Sydney-2000 como candidata ao ouro, mas sofreu uma contusão muscular em meio à disputa e disse adeus ao sonho de medalha.
No entanto, foi às vésperas dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003, que emergiu o verdadeiro drama da atleta. Ela testou positivo para a substância clostebol, um cicatrizante. Assim, foi suspensa por dois anos, ficou fora do Pan e de Atenas-2004. Maurren chegou a anunciar a aposentadoria.
Foram mais de dois anos fora do atletismo. A filha Sophia, nascida em dezembro de 2004, e o fim do relacionamento com o piloto Antonio Pizzonia impulsionaram sua volta, no início de 2006. No ano seguinte, foi ouro no Pan do Rio de Janeiro e quinta colocada no Mundial de atletismo de Osaka, no Japão.
Chegou a Pequim com o terceiro melhor salto da temporada. Nas eliminatórias, viu a então recordista no ano, a portuguesa Naide Gomes (7,12 m), ficar fora da disputa. Estava aberto o caminho para o ouro.
Na final, sua estratégia foi perfeita. Logo no primeiro salto, alcançou a marca de 7,04 m. Com isso, jogou todo o peso de bons saltos para as suas adversárias. A russa Tatyana Lebedeva foi quem mais se aproximou da brasileira. Registrou 6,97 m em sua primeira tentativa.
Maurren passou a fazer saltos fortes, com o objetivo de aumentar ainda mais a distância para as rivais, mas queimou as três rodadas seguintes. Por outro lado, sua postura aumentou, a cada rodada, a responsabilidade das oponentes. Enquanto isso, a posição do salto primogênito de Maurren permanecia intacto.
Foi na rodada final que o caminho para o ouro se encurtava a cada tentativa das adversárias, que caiam uma a uma. A nigeriana Blessing Okagbare, com a marca de 6,91 m, levou o bronze. A prata já estava garantida para a brasileira quando Lebedeva, novamente ela, estava no caminho. O salto da russa foi excepcional, chegando a 7,03 m. Por um centímetro, Maurren explodia para entrar para a história.
A atleta deu a volta olímpica com a bandeira do Brasil -e uma pequena da China a tiracolo. Foi ovacionada pelo público, beijou o lugar mais alto do pódio antes de assumir o posto de soberana no salto em distância em Pequim. Não segurou as lágrimas e chorou compulsivamente ao ouvir o Hino Nacional, tocado apenas para César Cielo na final dos 50 m livre.
Primeira mulher brasileira a conquistar um ouro olímpico. Primeira atleta do país a vencer no atletismo e no salto em distância. Primeiro ouro nacional desde Los Angeles-1984, quando Joaquim Cruz venceu os 800 m (os outros dois foram com o mítico Adhemar Ferreira da Silva, em Helsinque-1952 e Melbourne-1956, ambos no salto triplo). Os 7,04 m representam muito mais do que sua distância real. Chavão à parte, foi, sim, um salto para a história.
AP
Maurren Maggi posa com a inédita medalha olímpica de ouro para uma brasileira