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Esportes

10/07/2008 - 16:46 (atualizada em 03/09/2008 23:48)

No futebol, o importante é "honrar a camisa"

Muito além do resultado, o esporte para alguns torcedores é a paixão por camisas atuais e históricas

Danilo Lavieri

Cada um com a sua mania, já dizia o ditado popular. A do estudante de direito Eduardo Trigo, de 20 anos, do vendedor André Augusto de Almeida, de 32 anos, e do publicitário Felipe Bores, de 26 anos, é colecionar camisas de futebol. Juntos, eles somam quase 600 exemplares, sempre jurando que cada uma é diferente da outra.

"Tudo começou quando eu era criança, com uma camisa do Botafogo. Hoje, gosto das mais raras e daquelas que foram usadas em jogo, que ninguém tem", explica Eduardo.

"O que me motiva a cada dia mais é comprar novos itens, é a vontade de ter uma coisa que eu não vou ver mais ninguém usando", concorda o vendedor André.

Unidos pelo mesmo motivo e pelas mesmas vontades, os três têm também uma grande diferença entre eles. Trigo, por exemplo, soma 56 camisas e é o que apresentamenos exemplares. Almeida, por sua vez, tem 130 camisas, o que representa uma boa marca, mas muito atrás de Bores, que acumula incríveis 414 camisas.

Apesar de ficar na última colocação no que se refere à quantidade, Trigo tem um diferencial que nenhum deles possui. Para unira classe que ele chama de colecionadores de camisa, o fluminense criou o fórum Coleção Futebol, que tem por objetivo unir todos aqueles que gostam da mesma mania. Lá, são feitas trocas, vendas e compras de novos itens para a coleção dos que aderiram à febre.

Almeida também é integrante do fórum, mas sua grande diferença em relação aos outros é a variedade de suas camisas. Na sua coleção, é possível encontrar até um exemplar usado por Edílson Pereira de Carvalho, o famoso árbitro da Máfia do Apito de 2005, e outro usado por Rivellino na Copa do Mundo.

Também é de camisa antigas que Bores mais gosta. Ele, porém, não se contenta em apenas guardar os exemplares mais velhos. O publicitário ostenta a marca de ter todas as quase 70 camisas lançadas pela Liga Retrô, a maior distribuidora de materiais que revivem o passado do esporte.

Juntos, eles têm o mesmo método para conservar seus itens: guardam em um cômodo dedicado só para elas e não deixam ninguém mexer nas coleções.

Mas a carreira de um colecionador não é só de alegrias. Cada um tem sua história de tragédia com um de seus bens.

"Moro em uma casa com seis cachorros. Certa vez, um deles pegou minha camisa em um varal e rasgou inteira. Depois, minha mãe acabou me dando uma nova, mas não é a mesma coisa", lamenta Trigo.

"Em 2007, estava viajando, e uma das minhas malas foi extraviada. Desesperado ao embarcar, nem pensei duas vezes e já comprei dois exemplares que estavam dentro da minha mala. Só depois pensei em ligar para a companhia aérea, que conseguiu recuperar minha bagagem", lembra Bores.

Nenhum deles revelou quanto gastou com a coleção, mas concordam que valeu a pena. Tanto que Bores e Trigo não pensam em vender as camisas para arrecadar fundos. Almeida admite comercializar, mas apenas para concentrar sua coleção em camisas vascaínas, seu time do coração.

 

Por CLIMATEMPO

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