Esportes

27/06/2008 - 17:44 (atualizada em 03/09/2008 23:57)

Eterno capitão, Bellini se firma como um líder imortal

Zagueiro que levantou a taça do primeiro título mundial da seleção compensava a falta de técnica com raça e amor à camisa

Da Placar

Por dez anos o zagueiro defendeu as cores do Vasco da Gama. O capitão da seleção em 1958 era o galã e o craque, que, se preciso, dava chutão para espanar a bola. Com a camisa cruzmaltina, foi campeão carioca em 1952, 1956 e 1958, campeão do torneio Rio-São Paulo em 1958 e ídolo eterno.

Para ele, a técnica era o que menos importava. Ao contrário, era o alvo principal a ser anulado. E, como arma para neutralizá-la, Bellini utilizava sua maior qualidade: o amor à camisa que vestia. Como conseqüência, vieram muitos títulos pelo Vasco e a consagração definitiva como capitão do Brasil na Copa do Mundo de 1958.

Não foi à toa que o técnico Flávio Costa resolveu colocá-lo na equipe titular do Vasco, em 1952. Com Bellini, não havia vez para os atacantes. Nem para a acomodação dos companheiros. Mazzola, por exemplo, foi uma das vítimas de suas cobranças. Na estréia na Copa do Mundo de 1958, contra a Áustria, mesmo sentindo fortes cãibras, o atacante não foi poupado de uma severa bronca. ¿Levanta e vamos jogar¿, gritou Bellini.

Assim também foi nos dez anos em que defendeu o Vasco. Companheiro algum deixou de se esforçar, principalmente nos clássicos contra o Flamengo. ¿Sentia um prazer especial em ganhar dos rubro-negros porque havia uma escrita de não conseguirmos vencê-los¿, lembra. Por isso, com ele o Vasco chegou ao ¿Supersupercampeonato¿ Carioca de 1958 exatamente contra o Flamengo ¿ o título daquele ano foi assim chamado por obrigar a disputa de um turno extra. Além disso, a liderança do eterno capitão levou o clube aos títulos estaduais de 1952 e 1956, além do Torneio Rio-São Paulo de 1957.

Hoje, para os vascaínos resta apenas a saudade de um tempo em que sabiam que atacantes adversários não tinham lugar em sua área. Afinal, lá estaria sempre a figura segura de Bellini, colocando o desejo de vencer e o amor à camisa acima de tudo.

Vascaíno até a morte
Até por uma questão prática ¿ ali devem terminar as jogadas inimigas ¿, a valentia parece ser uma exclusividade dos defensores. E na própria história vascaína não faltam exemplos, desde o lendário zagueiro Itália, nas décadas de 20 e 30, ao vigoroso Abel, nos anos 70. Um pouco mais à frente, mas também com a missão de eliminar o perigo dos ataques inimigos, o Vasco teve um outro símbolo de garra: Alcir, que auxiliou a equipe a conquistar o Brasileiro de 1974.

Foi no ataque, porém, que jogou um dos maiores mitos da história do clube: Francisco Aramburu, o Chico. Para ele, não havia jogo perdido e só era possível tirá-lo de campo em estado extremamente grave, como aconteceu no Sul-Americano de 1946, quando defendeu o Brasil em uma verdadeira batalha campal contra o time e a polícia argentinos. Além de apanhar dos policiais, ele foi expulso e não pôde participar do segundo tempo da derrota brasileira por 2 a 0.

Para ele, porém, a violência adversária era o que menos importava. Quando precisava, batia tanto quanto os zagueiros para honrar a camisa. E em seu time não permitia os ¿pipoqueiros¿, a ponto de contagiar o grupo com sua própria filosofia. ¿¿ preciso que a equipe entre em campo disposta a tudo. E, se necessário, o time tem que lutar até a morte¿.

*Fonte: revista ¿Placar Especial¿, publicada originalmente na edição 1240, de 01/09/2002, páginas 42-43

 
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