25/05/2008 - 13:58 (atualizada em 03/09/2008 23:55)
Guga, "lenda", mostra lado humano para brilhar no esporte
Estrela, que encerrou a carreira neste domingo, conviveu com problemas ¿mundanos¿ e aumentou sua intimidade com as pessoas ¿normais¿
Da Redação
Mito, estrela, herói, gênio. O esporte tende a beatificar seus ídolos. Não foi diferente com Gustavo Kuerten. Mas foi o lado ¿humano¿, além dos resultados em quadra, que alçou o brasileiro ao título de queridinho da torcida.
No início da carreira, o visual até desleixado -a cabeleira despenteada, os uniformes azuis e amarelos- e o jeitão de ¿boa-praça¿ cativaram os amantes do tênis.
No Brasil, ele foi responsável por um ¿boom¿ no esporte: o tênis passou a ser mais visto e praticado, voltou a ser transmitido em TV aberta e ganhou uma legião de novos admiradores.
Em quadra, o título de Roland Garros seria algo inimaginável para um tenista brasileiro. Um tricampeonato, então, o levou ao rol de ¿imortal¿. Nunca na história um sul-americano havia conseguido tal feito.
¿Vencer três vezes o Aberto da França é muito mais do que eu sonhava¿, disse Guga, depois da terceira vitória, em 2001.
Os títulos, as vitórias expressivas, a ¿melhor esquerda do circuito¿, o bom relacionamento com os rivais fora de quadra, enfim, Guga era uma unanimidade e caminhava a passos largos para a ¿imortalidade¿.
No entanto, os problemas ¿mundanos¿ sempre permearam a carreira do tenista, o aproximando dos mortais. Em 1985, o pai, Aldo, morreu em quadra, quando apitava uma partida de tênis.
E uma lesão no quadril foi a responsável pelo fim precoce de sua carreira. As dores começaram em 2001, e ele passou por duas cirurgias (2002 e 2004) para sanar o problema, sem sucesso.
No início deste ano, Guga anunciou a aposentadoria, aos 31 anos. O tenista divulgou uma turnê de despedida, que culminou com sua última aparição em Roland Garros.
Em fevereiro, disputou pela última vez o Aberto do Brasil, na Costa do Sauípe, mas perdeu na primeira rodada para o argentino Carlos Berlocq.
¿Não é que eu não queira mais jogar. É que eu não consigo¿, disse, emocionado, na quadra no torneio brasileiro.
Mais uma vez, o lado humano se misturava com o mito, como sempre foi com Guga, o maior tenista da história do Brasil.