30/04/2008 - 22:39 (atualizada em 03/09/2008 23:51)
Novos ídolos substituíram Senna
Com a morte do tricampeão, surgiram no Brasil esportistas de diversas modalidades que supriram a ausência do piloto
Raphael Hakime
O ano de 1994 prometia fortes emoções para o povo brasileiro. Ayrton Senna tinha um ótimo carro (Williams) e o caminho livre para chegar ao título, já que Alain Prost tinha se retirado das pistas e Nigel Mansell havia assinado contrato para correr a Fórmula Indy.
Na época, o Brasil carecia de conquistas no esporte. Já completava 24 anos sem uma Copa do Mundo (a última tinha sido o campeonato de 1970, com Pelé ainda em campo) e a equipe de vôlei campeã olímpica em 1992 em Barcelona não dava qualquer sinal de que o jejum de títulos acabaria.
Por isso, o ¿tema da vitória¿, música característica da TV Globo para celebrar vitórias brasileiras na principal categoria do automobilismo, era um refúgio para o povo. Ali estava a principal aposta e quase a certeza de bons resultados nas pistas.
Mas o 1º de maio guardava uma surpresa triste para o país. Correndo o GP de San Marino, em Ímola, na Itália, Senna sofria uma leve pressão, pois ainda não tinha pontuado na temporada. O ímpeto pela vitória causaria o acidente na curva Tamburello, a quase 300 km/h.
A morte precoce de Senna cravou na história um mártir e um mito do esporte nacional, além de uma reviravolta natural no Mundial de Pilotos e na própria F-1. Foi nesse mesmo ano que despontou Michael Schumacher, com a extinta e poderosa Benetton. Nos anos seguintes, o alemão liquidou todos os recordes até então impostos na categoria e chegou ao 7º título mundial.
O carinho do povo com Senna só foi suplantado graças à arrancada do futebol. No ano da morte do piloto, o Brasil conquistou a Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos. Nas duas Copas seguintes, um vice e outro título selaram a recuperação do prestígio dos boleiros.
Além do esporte coletivo, o Brasil criou um novo ídolo numa modalidade individual. Gustavo Kuerten venceu Roland Garros, um dos mais desejados torneios do circuito de tênis, três vezes (1997, 2000 e 2001). Para completar, a seleção masculina de vôlei ressurgiu como uma potência quase imbatível. Na Liga Mundial, desde 2001, são seis títulos em sete torneios. Em 2002 e 2006, o vôlei levou o Campeonato Mundial.
Por fim, outra modalidade que passou a agradar o brasileiro foi a ginástica. Daiane dos Santos apareceu para o mundo nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, em 2003. Mas o auge veio com a conquista do Campeonato Mundial no solo, em Anaheim/2003 (EUA), e o ouro no solo das etapas de Stuttgart (Alemanha/2003), Lyon (França/2003), Cottbus (Alemanha/2004) e Rio de Janeiro (Brasil/2004) da Copa do Mundo de ginástica.