Esportes

30/04/2008 - 20:53 (atualizada em 03/09/2008 23:51)

Planeta relembra morte de Senna

Há 14 anos, um acidente tiraria a vida de um dos maiores ídolos do automobilismo brasileiro e mundial

Raphael Hakime

O 1º de maio de 1994 era para ser um feriado de Dia do Trabalho como qualquer outra na vida do brasileiro. O enredo do domingão esportivo estava ali. Um possível ¿tema da vitória¿ pela manhã, almoço em família ao meio-dia e futebol à tarde. Mas à época, com o futebol sem ser campeão do mundo há 24 anos, a Fórmula 1 dava as cartas no esporte brasileiro quando o tema era sucesso. E, naquele dia, Ayrton Senna, tricampeão mundial de F-1, estava na pista de Ímola para disputar mais um GP de San Marino.

A expectativa dos fãs brasileiros não poderia ser melhor. O piloto acabara de trocar a McLaren pela Williams, que vinha de dois títulos mundiais. Senna, é verdade, ainda buscava sua primeira vitória na temporada. Mas a curva Tamburello interrompeu a trajetória de um dos maiores ídolos brasileiros.

Na época, depois de enfrentar adversários históricos como Nigell Mansell, Alain Prost e Damon Hill, Senna tinha outro motivo para se preocupar ¿Michael Schumacher, da Benetton, era uma ameaça emergente. O talento do alemão ganhou notoriedade justamente no ano da morte de Senna, com a conquista dos campeonatos daquele ano e de 1995.

Carreira

Ayrton Senna começou na Fórmula 1 em 1984, pela equipe Toleman. Com um carro limitadíssimo, o piloto conseguiu alguns pódiuns e uma corrida histórica realizada em Mônaco, quando largou em 13º, alcançou a 2ª colocação e ameaçou a liderança de Alain Prost.

De 1985 a 1987, Senna correu pela mítica Lotus. Logo na abertura da temporada, no GP de Jacarepaguá, o brasileiro obteve a sua primeira pole position, mas abandonou a corrida com problemas mecânicos. Em sua primeiro ano numa escuderia de renome, Senna ficou em quarto no Mundial de Pilotos.

Em 1986, Senna travava verdadeiras batalhas contra Nelson Piquet e Nigel Mansell. Na primeira prova da temporada, Ayrton foi o segundo colocado no GP do Brasil, realizado em Jacarepaguá, atrás somente do compatriota Piquet. A primeira vitória viria no GP da Espanha, quando venceu Nigel Mansell por milésimos de segundo. Novamente, Senna foi ¿apenas¿ o quarto no campeonato.

Em 1987, vários problemas mecânicos marcaram a Lotus, deixando Senna um degrau abaixo de Piquet e Mansell, que pilotavam as Williams. No fim, o brasileiro foi o terceiro colocado.

Entre 1988 e 1993, Senna foi piloto da McLaren. Além do brasileiro, a equipe contava com outro profissional de ponta: o francês Alain Prost. Das 16 corridas disputadas em 1988, 15 foram vencidas pela McLaren, com Senna sagrando-se campeão mundial pela primeira vez.

Em 1989, a disputa com o francês continuava acirrada. A decisão do título ocorreu em Suzuka, no Japão, quando Senna precisava vencer para permanecer com chances de levar o campeonato. Mas um toque entre os carros de Prost e Senna mudou a história da corrida. Senna precisou voltar aos boxes para reparar o bico.

No retorno, o brasileiro alcançou o primeiro lugar, mas foi desclassificado por ¿cortar caminho¿ na chicane, fato que desencadearia uma eterna batalha com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e com Jean-Marie Balestre, seu então presidente. Em 1990 e 1991, Senna conquistou os últimos campeonatos da carreira e se tornou tricampeão. As duas temporadas foram marcadas por disputas acirradas com Alain Prost e Nigel Mansell.

Morte

Após dois anos lutando contra as limitações da McLaren diante de uma Williams quase perfeita, Senna via 1994 como o ano do reencontro com o título mundial, até porque teria novamente nas mãos o melhor carro da categoria. Mas a temporada não havia começado produtiva para o piloto. Até o GP de San Marino, Senna não havia pontuado. Por isso, havia uma pressão natural sobre os ombros do principal piloto da Williams.

San Marino era o terceiro Grande Prêmio de 1994. Antes, a Fórmula 1 já havia passado por Interlagos, no GP do Brasil, e Aida, no Japão, pelo Grande Prêmio do Pacífico. Nessas duas etapas, Senna conquistara a pole position, mas abandonara em ambas as corridas. Em São Paulo, por problemas mecânicos. No Japão, devido a uma batida.

Ímola representava o começo da reação. Mas, ao contrário, o circuito revelou ser um dos mais inseguros da temporada. Logo na sexta-feira, durante os treinos livres, Rubens Barrichello, da Jordan, batera forte na barreira de pneus. O então novato saiu sem ferimentos mais graves.

No sábado, o austríaco Roland Ratzenberger não conseguiu dominar seu carro (da equipe da Simtek) e bateu com violência na curva Villeneuve, após perder uma das asas. O piloto foi levado ao hospital, mas faleceu minutos depois.

Diante desses dois acidentes, Senna lançou um movimento junto aos pilotos para melhorar as condições de segurança na Fórmula 1 e também reconsiderar a possibilidade de correr em Ímola. Todos os pilotos, inclusive Senna, concordaram em disputar o GP de San Marino.

O brasileiro conquistara a pole position para a corrida de domingo. Durante a prova, a principal ameaça a Senna era Michael Schumacher. Mas Ayrton abriu o que seria sua última volta e, na curva Tamburello, bateu a 200 km/h contra um muro de concreto. Senna recebeu os primeiros cuidados médicos ainda na pista e, em seguida, foi levado para o Hospital de Bolonha. Poucas horas depois veio a falecer.

 
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