Diversão

06/10/2008 - 08:31 (atualizada em 06/10/2008 08:53)

Crise americana pode afetar indústria cultural no Brasil

Aumento do dólar pode trazer vantagens imediatas, mas ramo não está blindado contra a turbulência

Diego Sapia Maia

A crise financeira americana já ameaça a indústria do entretenimento. Em Hollywood, estúdios começam a acender o sinal vermelho para projetos muito caros, como a adaptação de “Tintin”, que seria dirigida por Steven Spielberg e Peter Jackson, e que foi recusada pela Universal.


O receio não é recente. Desde 2007, quando a crise imobiliária dos Estados Unidos dava sinais de seu alcance, bancos americanos começaram a retirar investimentos aplicados no ramo da indústria cinematográfica. Apesar disso, logo depois do “crack” de 15 de setembro de 2008, Jeffrey Katzenberg, um dos fundadores dos estúdios Dreamworks com Steven Spielberg e David Geffen, minimizou o pânico. Em conferência transcrita pela agência Reuters, o executivo exaltou as qualidades da indústria que defende: “Tanto tradicionalmente quanto recentemente, vimos que nossos produtos são, na pior das hipóteses, resistentes à recessão e, sendo mais otimista, já se mostraram até à prova de crise”.

O otimismo de Katzenberg parece dar o tom dos comentários de profissionais do ramo no Brasil.

Cinema
Para os brasileiros, a conseqüência mais imediata da crise é o aumento do dólar. E, ao menos do ponto de vista dos produtores de cinema nacionais, a desvalorização do real traz algumas vantagens. Pérsio Pisani, produtor do filme “Última Parada 174”, acredita que a alta do dólar pode ajudar o cinema brasileiro: “Quando o real estava muito valorizado, muitas equipes iam filmar na Argentina, porque os custos eram menores. A desvalorização favorece a produção no Brasil”, conta.

Acordos com distribuidores internacionais também se mostram mais vantajosos, porque são fechados em dólar – o mesmo vale para produções brasileiras que têm parte de seu financiamento oriundo de produtores estrangeiros. Um produtor nacional que tenha recebido investimento de 400 mil euros há três semanas, por exemplo, terá, hoje, um orçamento em reais maior do que o previsto anteriormente.

Mas o aluguel de equipamentos para as filmagens, por sua vez, podem se tornar mais caro, porque a maior parte deles vem do exterior: “Empresas que alugam equipamento podem aumentar o preço das tarifas, prejudicando os orçamentos por aqui”, explica Pisani.

 

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