Diversão

02/10/2008 - 08:19 (atualizada em 08/10/2008 00:12)

Rick Bonadio diz que atual cena independente é péssima

Produtor de Mamonas e NX fala sobre novos projetos e o seu início como rapper

Bruno Dias

A carreira de produtor musical de Rick Bonadio se funde com a história recente da música brasileira. Alguns dos últimos sucessos da indústria fonográfica nacional, como Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr, CPM 22 e NX Zero, foram descobertos e lançados ao estrelato por ele.

Dono do selo Arsenal Music, Bonadio recebe em média cerca de 30 CDs demo por mês e mais de 40 links de bandas que estão começando, numa tentativa de trabalharem com o produtor, que virou sinônimo de sucesso no mercado nacional.

Direto de seu estúdio em São Paulo, o Midas, Bonadio conversou por e-mail com o Abril.com e falou, entre outras coisas, sobre suas novas apostas e criticou a atual cena musical independente nacional.

Abril.com: Queria que você falasse um pouco sobre o começo da sua carreira dentro da música. Por que você desistiu de ser rapper para virar produtor?
Rick Bonadio: Comecei tocando teclado e guitarra com 16 anos. Fiz de tudo na música, arranjos, programações, composições, enfim tudo mesmo. Depois gravei um disco e vi que gostava mais de ficar no estúdio do que viajar para fazer shows. Então preferi a carreira de produtor, compositor e empresário.

Além do Glória, recém-contratado pela Arsenal, quais são suas novas apostas dentro da música?
Estou trabalhando na produção do Glória e acabei de lançar o Túlio Dek, um rapper bem diferente e talentoso.

abril.com.br

O Glória tem um som mais pesado que os artistas que você trabalha no momento, como Fresno e NX Zero. Você pretende enveredar para esse lado do rock pesado?
Não necessariamente, gosto muito do Glória, mas não vejo outras bandas fazendo rock pesado bem feito como eles fazem.

Qual a dica que você daria pra uma banda que está começando?
Seja original, não copie ninguém.

Você já lançou alguns artistas que vieram de programas de TV, como Rouge, e mais recentemente os vencedores do “Country Star”, na Band. Alguns deles não conseguiram decolar para o sucesso. Você acha que esse tipo de artista, que vem de um reality, desperta uma cerca desconfiança do público?
Realmente é muito difícil um artista de reality show conseguir ter uma carreira longa, mas é uma forma de alavancar rapidamente um artista. Acontece que o Rouge, por exemplo, foi sucesso em todos os sentidos, vendas, durabilidade [lançaram quatro CDs] e futuro para as meninas. Todas estão muito bem nas suas carreiras e eu espero sempre o melhor. Se der errado eu fiz a minha parte.

Pra você, qual é o maior artista da atualidade no Brasil?
Ivete Sangalo.

O Brasil está passando por um momento no qual muitas bandas estão circulando por festivais independentes pelo país. Você tem acompanhado essa movimentação? Você acha que o mercado nacional está passando por um bom momento?
Não, acho o momento muito ruim. Tem muita gente fraca achando que é boa.
Os festivais independentes são péssimos. Falta criatividade e letra. Falta tocar melhor, falta muita coisa.

Qual foi o trabalho mais difícil que você já fez?
Rodolfo e ET. Gravar voz era muito divertido, mas muito difícil. Vendeu muito.

 
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