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Diversão

30/09/2008 - 09:54 (atualizada em 30/09/2008 10:03)

Katy Perry é revelação do mesmo filão de Avril Lavigne e Lily Allen

Álbum "One of the Boys" tem temas polêmicos na medida certa para chocar e vender

Diego Sapia Maia

O mundo pop não ganhava uma cantora "teen" com o alcance de Katy Perry desde que Avril Lavigne fez uma "revolução" em um shopping center no clipe de "Complicated", em 2003.

A comparação pode soar injusta, já que Katy tem voz superior e um senso de humor que faltava à canadense. Mas, a despeito das diferenças, as duas fazem parte de um mesmo filão da música pop: o das cantoras desbocadas, com forte apelo entre adolescentes, de comportamento cuidadosamente estudado para chocar e chamar a atenção sem destruir o potencial comercial de suas canções. (Lily Allen é da mesma turma, mas seus palavrões parecem repercutir apenas dentro do Reino Unido).

Até a história de Katy parece moldada para que toda garota em ebulição hormonal se reconheça nela. Nascida na Califórnia e filha de pastores evangélicos, ela começou a cantar no coral da igreja, mas dizia que não era uma "cristã" comum. Lançou alguns singles a partir de 2001, foi abandonada por gravadoras e, em 2007, finalmente contratada pelo selo Capitol Records, que começou a produzir seu primeiro álbum "mainstream", "One of the Boys", lançado agora no Brasil.

Uma garota educada na Bíblia, com pais zelosos, nascida em um estado ensolarado fatalmente se tornaria uma boa moça no país de Sandy Leah. Mas em um lugar que tem Madonna como símbolo máximo de eficácia comercial da indústria, o pulo do gato é justamente a subversão desse bom-mocismo. O álbum de Katy é recheado de sacanagem, provocações adolescentes e temas polêmicos – nunca em excesso, para não espantar a freguesia.

Em "I Kissed a Girl", single que a colocou no mapa, a cantora diz que beijou uma garota e gostou ("Nós garotas somos tão mágicas ... difíceis de resistir, tão 'tocáveis'"). Em "Waking Up in Vegas", faixa mais rock do álbum, ela narra as desventuras de uma noitada na capital da jogatina ("Eu perdi minha identidade falsa, você perdeu as chaves do motel"). Em "Ur So Gay", outro hit, descreve com bom humor desconcertante um namorado sensível demais ("Você não come carne e dirige carros elétricos. Você gosta tanto de indie rock que é quase uma arte. Você precisa de filtro solar fator 45 só para continuar vivo").

Logo depois, Katy lança mão de fofurices e desabafos pueris. Em "Lost", ela diz que se sente desorientada ("Você já se sentiu tão perdida, conhecendo o caminho mais ainda perdida?"). Em "I'm Still Breathing", coloca o ponto final em um romance ("Vamos encerrar este capítulo, fazer uma última oração. Mas não diga que você me amava"). Depois da farra, a culpa.

O álbum termina em clima de ressaca e volta por cima, encerrando um verdadeiro compêndio de temas adolescentes com competência cirúrgica. Está tudo lá: da descoberta da sexualidade à tiração de sarro, da desorientação espiritual ao pé-na-bunda. Trabalho tão exato dentro do filão de Avril Lavigne, Lily Allen & cia que ninguém deve se espantar ao ler o nome de Glen Ballard nos créditos. Responsável por "Jagged Little Pill", de Alanis Morissette (um dos maiores sucessos do gênero "adolescente revoltada à beira de um ataque de nervos"), o produtor veterano provavelmente entende mais da química dos hormônios juvenis do que suas próprias crias.

 

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