Diversão

24/09/2008 - 01:03 (atualizada em 24/09/2008 17:18)

Machado de Assis: “Memórias Póstumas de Brás Cubas” consagra autor

Livro, que tem como narrador um morto, inaugurou o realismo no Brasil

Da Redação

Narrado por um “defunto autor”, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de 1880, foi responsável por Machado de Assis ser considerado um dos maiores escritores do mundo. O famoso crítico norte-americano Harold Bloom o incluiu em seu livro “Gênio – um mosaico de cem mentes exemplares e criativas” comentando o romance que inaugurou o realismo no Brasil. "Brás Cubas jamais sofre e, por conseguinte, jamais sofremos com ele. Todavia, uma frieza misteriosa emana das suas Memórias Póstumas, obra que contém atmosfera tão original que não permite comparação com qualquer outro texto ficcional", escreveu Bloom.

A leitura de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” realmente surpreende do começo ao fim, a despeito do que normalmente seria o ápice da história, a morte, aparecer logo nas primeiras páginas. Descrever o enterro, presenciado por apenas 11 amigos, no início é uma estratégia assumida pelo narrador com o intuito de ser diferente.

Mas, em seguida, Brás Cubas passa a contar sua vida sem grandes acontecimentos e ainda assim a história puxa o leitor. A ironia e a agilidade da narrativa, típica do movimento da memória, são alguns dos ingredientes mais cativantes da obra.

Filho de família rica, bonito, mimado e protegido, Brás aprontou bastante na infância. Aos 17 anos, apaixonou-se por Marcela, uma prostituta espanhola que lhe arrancou muito dinheiro. O pai descobriu o caso e despachou o rapaz para Coimbra, em Portugal, onde estudou direito e partiu para viagens na Europa.

Na volta ao Brasil, encontrou o futuro traçado pelo pai. Mas não obteve sucesso. O bom casamento não aconteceu. Chegou a ser vereador, mas não conseguiu ascender a ministro. Não se casou com Virgília, a mulher mais importante da sua vida. Não teve filhos. E não fabricou o emplastro que lhe daria dinheiro e fama. Aos 64 anos, tudo acaba.

Mas, por trás desse enredo, como de praticamente todos os outros de Machado, ainda fica muito por entender. A chave da leitura e das quantas releituras forem desejadas é acompanhar as reflexões e os delírios que a liberdade do estado de autor póstumo dá a Brás Cubas.

Foto: Acervo do Museu da Imprensa

 

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