07/09/2008 - 08:24 (atualizada em 07/09/2008 08:39)
Hives conquista a platéia paulistana
Suecos empolgam o público em apresentação no Festival Orloff Five
Diego Maia
O grupo sueco The Hives se apresentou pela primeira vez em São Paulo neste sábado (6), dentro do Festival Orloff Five, que contou ainda com Melvins, Plastiscines, Vanguart e o DJ Tittsworth na programação.
Banda mais aguardada da noite, o Hives entrou no palco do Via Funchal pontualmente às 23h, disparando de cara alguns de seus primeiros sucessos, como “Main Offender” e “Die, Allright!”. As canções “It Won’t Be Long” e “Try It Again”, do último disco, “The Black and White Album”, lançada em outubro de 2007, também tiveram seu espaço no set enérgico do grupo.
Apesar de a verve garageira quase transformar todas as música do Hives em uma maçaroca de riffs indistinguíveis (mais ou menos o que os terninhos estilosos fazem com o visual dos integrantes da banda), a presença de palco do vocalista Howlin’ Pelle Almqvist e do guitarrista Nicholaus Arson garantiu o show.
Arson provocava histeria nas garotas ao fazer caras e bocas (supostamente) sensuais. Irrequieto, Pelle, que já foi comparado ao também hiperativo Iggy Pop, pisou em cada centímetro quadrado do palco, recitou uma série de frases em português (“Eu te amo, São Paulo”, “Sou vocalista” e até um deslocadíssimo “Tira o pé do chão”) e por pouco não “surfou” na platéia ao pular na área dos fotógrafos e subir na grade que segurava os fãs. No novo rock, a performance 220V de Pelle talvez só seja comparável à de Karen O, vocalista da banda nova-iorquina Yeah Yeah Yeahs, que se apresentou no Brasil em 2006.
Melvins, Plastiscines, Vanguart e Tittsworth
Antes de o Hives encerrar o festival em clima de catarse, as bandas Melvins, Plastiscines, Vanguart e o DJ Tittsworth também fizeram seus shows.
Tittsworth, vindo dos Estados Unidos, abriu a programação do dia e se apresentou nos intervalos entre as bandas. Nessas ocasiões, o americano abusou de sets populistas baseados em hits de grupos como Metallica, Nirvana, Radiohead e Pixies, sem se dar ao trabalho de remixá-los ou mesmo uni-los em mashups. O clima era de “colocando um som na festa do condomínio”, muito pouco para quem já foi considerado o “DJ mais quente da América” pela revista XLR8R, especializada em música eletrônica.
O Vanguart, banda de Cuiabá (MT) e único grupo brasileiro escalado para a noite, subiu ao palco sem grandes surpresas para quem já os viu em ação neste ano. “Semáforo” e “Cachaça”, quase-hits, continuam os destaques do repertório. Mas Helio Flanders, vocalista, quebrou a monotonia e provocou risos (além de certo constrangimento) ao comentar a morte do cantor Waldick Soriano, vítima de câncer, com uma dose desconcertante de humor negro: “E o Waldick, hein? Ele morreu porque não fez exame de próstata”, disparou o cuiabano, dedo indicador em riste.
O Melvins, formado nos Estados Unidos na década de 80, e banda preferida de Kurt Cobain, líder do Nirvana morto em 1994, transportou o Via Funchal para duas décadas atrás. Em pouco mais de uma hora, o grupo do cabeludo Buzz Osbourne expôs, com o peso de suas duas baterias, as raízes de bandas adoradas como Faith no More e Queens of The Stone Age e de todo o subgênero grunge. A reportagem do Abril.com presenciou alguns trintões chorando.
As jovens francesas do Plastiscines entraram no palco depois da passagem mastodôntica do Melvins e antes dos aguardados Hives. Apesar de divertido, o inofensivo pop rock das garotas foi prejudicado por problemas de som da casa. Katty Besnard, a vocalista, incomodou-se. Metida em um vestido curtíssimo, ela gesticulou algumas vezes para os técnicos, querendo providências. Dados o figurino de Katty e a hipnotizante beleza nouvelle vague das integrantes, é bem provável que as falhas tenham passado despercebidas pela maior parte do público.
Hives em Porto Alegre
Depois de se apresentarem em Brasília na última sexta-feira (5) e em São Paulo neste sábado (6), os suecos do Hives fazem show em Porto Alegre. A apresentação para os gaúchos acontece na próxima segunda-feira (8), a partir das 21h, no Teatro do Bourbon Country. Ingressos custam de R$ 90 a R$ 150. Mais informações no site do teatro.
Diego Maia
Howlin' Pelle Almqvist, o hiperativo vocalista do Hives