Diversão

21/08/2008 - 20:05 (atualizada em 03/09/2008 23:35)

Maurício de Sousa invade a China e lança "Turma da Mônica Jovem" na Bienal do Livro

Pai da Mônica fala sobre a polêmica criada pelo lançamento da versão teen da turma, sobre o desenho animado para tv e projetos desenvolvidos no Oriente

Bruno Dias

abril.com.br


Durante a 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo o pai da turma mais famosa do Brasil, Maurício de Sousa, fará uma enxurrada de lançamentos. Entre os destaques, que incluem “Turma da Mônica em Contos de Andersen, Grimm e Perrault” (Editora Girassol), “Jesus nos ensina a viver” (Editora Ave Maria), “Turma da Mônica Tauó” (Editora Panini) e “Cartilha Primeiras letras com a Turma da Mônica” (Cia. Editora Nacional), está a polêmica “Turma da Mônica Jovem” (Editora Panini).

Nesta nova faceta da “Turma”, Mônica, Cebolinha, Cascão e companhia aparecem adolescentes, em estilo mangá, fato que causou certo estranhamento entre os fãs saudosistas do gibi. Mas nada que desanime seu criador, que já comemora o sucesso do novo quadrinho.

Nesta sexta-feira (22), Maurício fará uma palestra no Salão das Idéias, às 15h, onde irá conversar com os fãs da “Turma”. No dia seguinte, sábado (23), ele comparecerá a três sessões de autógrafos nos stands das editoras FTP, Cia. Editora Nacional e Editora Ave Maria.

O Abril.com conversou por telefone com o autor, que, entre outras coisas, falou sobre a polêmica “Turma da Mônica Jovem”, a entrada dos personagens na China, e os projetos para o futuro.

Qual foi o critério para escolher os contos do “Turma da Mônica em Contos de Andersen, Grimm e Perrault”(Editora Girassol)?

O critério da editora foi pegar os autores mais conhecidos de todos os tempos, e me passar para eu contar as histórias do nosso jeito. Eu ainda não me sinto muito satisfeito com esse material, acho que ele pode ser melhorado nas edições futuras. Os contos antigos eram meio duros, politicamente incorretos. Mas você não pode fugir muito da realidade da história.

E os outros lançamentos?

Temos ainda “Jesus nos ensina a viver” (Editora Ave Maria), que é um livrinho de boas maneiras espirituais pra criançada, cidadania pra crianças. Não é um livro católico. Tem a “Turma da Mônica Jovem”, que é o nosso grande lançamento, está vendendo mais que pãozinho quente. Eu esperava isso mesmo. Vamos ter uma tiragem monstro e uma venda monstro também.

De quanto vai ser essa primeira tiragem?

A tiragem deve chegar aos 180, 200 mil. Até agora, em seis dias, vendeu 56% da tiragem, só em São Paulo. É um fenômeno.

Essa nova revista está causando uma polêmica, entre o pessoal mais saudosista. Todo mundo acostumado a vê-los pequenos, o Cascão está tomando banho. Como tem sido a resposta do pessoal?

Está acontecendo a mesma coisa que acontece em toda família, chega um dia em que o pai ou a mãe percebe que aquela criança não é mais criança. Já saiu, está namorando, quer ficar fora mais tempo, prefere conversar com os amigos que com os pais. É a época da descoberta, da adolescência. 

Enquanto isso, as revista de linha, continuam pra aqueles que não querem ver a ‘Turma da Mônica’ crescendo. É o rito de passagem, lindo maravilhoso, e que assusta. Todo rito de passagem é uma transposição que às vezes a pessoa nem está preparada pra ter.

Essa foi a primeira edição da “Turma da Mônica Jovem”, outras já estão previstas?

Vai ser uma revista, acho que mensal, que deve sair a cada 45 dias. Pra dar tempo de eu desenhar. Eu estou produzindo a terceira história já. Essa primeira vai ter quatro capítulos, depois vai ter uma de um e depois uma de três que já está em produção.

Porque a escolha do mangá?

A garotada hoje está toda vidrada no estilo mangá de comunicação e de grafismo, então eu optei em entrar um pouquinho mais nisso. Embora a ‘Turma da Mônica’ sempre tenha sido um estilo meio mangá, tanto que elas circulam tranqüilamente em outros países asiáticos. Recentemente um editor chinês olhou nosso material e comentou: ‘nossa olha só, quando sair na China não precisa mudar nada, eles já são chineses’.

Pelo traço?

Sim, pelo traço, pelos olhos grandes que eles gostam.

O senhor era amigo de Osamu Tezuka (desenhista japonês considerado o pai do mangá) isso foi uma forma de homenageá-lo?

Não, não, nosso traço meio mangá já tinha nascido antes. E o ano da imigração japonesa me forçou a adiantar o lançamento desse quadrinho estilo mangá. Eu fui muito amigo do Tezuka, e nós trocamos idéias durante os últimos anos da vida dele muito, ele gostava muito do meu traço e eu gostava muito do que ele fez.

abril.com.br


Com relação à “Cartilha Primeiras letras com a Turma da Mônica” (Cia.Editora Nacional), era uma vontade que o senhor alimentava há muito tempo, né?

Faz tempo que eu quero entrar nas escolas. Como eu já estou entrando nas escolas chinesas, eu queria entrar com a mesma força nas escolas brasileiras. Estamos quase que indiretamente em todos os livros didáticos brasileiros hoje, das mais diversas editoras. Já têm historinhas da Mônica, do Chico Bento [nos livros] ...

Como está esse projeto na China?

Já está andando, começamos a participar de um grande projeto que vai atingir cerca de 180 milhões de crianças na hora da alfabetização, e a ‘Turma da Mônica’ foi escolhida por causa do conteúdo, da mensagem e filosofia. E foi praticamente contratada por uma empresa que está cuidando desse assunto junto ao governo chinês. Vamos fazer muitas coisas lindas pra essa criançada que já recebeu suas primeiras revistas em mandarim e chinês, e gostaram como se fossem crianças brasileiras.

A revistinha clássica saiu lá?

Não, lá foi lançada uma revista paradidática que aqui chamamos de ‘Saiba mais’. Nós pegamos um tema e desenvolvemos não só com a história em quadrinhos, mas com diversões, informações, etc. A revista de linha mesmo ainda demora um pouco. Nós vamos entrar depois em livros, desenho animado, e depois, se tudo der certo, o gibi clássico.

Fazendo o caminho inverso do Brasil...

Totalmente inverso e lindo. Estou adorando entrar pela escola na China.

Ano que vem o senhor completa 50 anos de carreira...

É, que ninguém nos ouça, é tudo isso mesmo. [risos]

E vai sair alguma coisa especial?

O pessoal está me cobrando coisas aqui, eu to tentando empurrar com a barriga um pouco, mas estou tentando planejar e vão sair algumas coisas sim.

Juntos com os lançamentos já citado na Bienal, também tem as tirinhas clássicas...

Tem os Pockets Books, que a Editora Panini está lançando, tem as revistas que estão sendo relançadas, desde o número um, que são nossas edições históricas. Tem os clássicos da ‘Turma da Mônica’ também. Vamos lançar pela Panini nosso primeiro Graphic Novel, que é o ‘Turma da Mônica Tauó’, que é a gozação da ‘Guerra nas Estrelas’.

O senhor tem acompanhado o trabalho de outros desenhistas brasileiros?

Existem muitos brasileiros, principalmente na linha de super-heróis que estão fazendo um trabalho muito bom, para os Estados Unidos, para outros países. E estão crescendo, tem tiras maravilhosas saindo em jornais regionais, que fatalmente vão começar a sair em outros jornais também. É um momento bom, de fácil comunicação, principalmente por causa da internet.

Nesta sexta-feira (22) o senhor vai dar uma palestra na Bienal. Qual vai ser o assunto abordado?

Eu não sou bem um conferencista, um palestrante. Eu vou lá pra bater um papo com o pessoal. E a palestra toma a direção que a platéia deseja e me chama. Principalmente sobre os novos trabalhos, nas diversas áreas e plataformas.

Pra esse ano vão ter outras novidades da “Turma da Mônica”?

Até antes do fim do ano nós vamos entrar na televisão com os desenhos animados já prontos para TV. Estamos terminando as gravações, fazendo as dublagens. Pela primeira vez nós teremos filmes produzidos para televisão. 

E vai ser pra TV aberta?

Pra TV aberta. Ainda na Bienal vai ter uma cerimônia de entrega de um prêmio chamado ‘Vermeil’, que vai ser na sexta–feira. Essa medalha foi mandada pela Academia das Artes, Ciências e Letras da França pelos trabalhos que nós desenvolvemos na área cultural junto à criança.

Fotos: Divulgação

 

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