O cineasta David Lynch atraiu, nesta quinta-feira (07), na Livraria Cultura, em São Paulo, centenas de fãs que foram ouvi-lo falar de sua paixão pela meditação transcendental e comentar sua carreira cinematográfica. A primeira visita de Lynch ao Brasil, que começou na última segunda-feira (4), no Rio de Janeiro, faz parte dos trabalhos de divulgação de seu novo livro, “Em águas profundas – criatividade e meditação”.
O braço paulistano da visita começou com um bate-papo com fãs e jornalistas às 15h. Cerca de 200 pessoas esgotaram os lugares disponíveis no Teatro Eva Herz, dentro da Livraria, quase três horas antes do início do evento. Muitas carregavam DVDs e exemplares recém-comprados do livro, com a esperança de conseguirem um autógrafo do cineasta logo após a palestra. Para tanto, elas tiveram de enfrentar uma fila de aproximadamente 300 outros admiradores do diretor, que se aglomeravam pelos andares da livraria esperando o fim do bate-papo e o início da sessão de autógrafos (leia mais no fim do texto).
Bem humorado, Lynch dedicou boa parte do tempo à defesa da meditação transcendental, técnica criada 1958 por Maharishi Mahesh Yogi baseada no repetição de sons específicos (mantras). “O potencial da glória humana está ligado à consciência plena, atingida pela meditação. Quando você conquista essa consciência, alcança a felicidade infinita”, disse o diretor, pronunciando “felicidade” em bom português. “Faço isso há 35 anos, duas vezes por dia. É a coisa mais linda do ser humano”. O cineasta também garantiu que a técnica o auxilia em seu processo criativo. “(A meditação) Faz você mergulhar dentro de sua criatividade. E te ajuda a ter mais energia no trabalho”.
Quando questionado se a meditação transcendental ajudaria a compreender seus filmes complexos e surrealistas, o cineasta respondeu na lata: "absolutamente", arrancando gargalhadas da platéia. Veja a resposta:
A tranqüilidade e o bom-humor de David Lynch talvez tenham surpreendido quem o conhecia apenas por suas obras perturbadoras e soturnas, como a série de TV “Twin Peaks” e os filmes “A Estrada Perdida” e “Cidade dos Sonhos”. A explicação para esse contraste, Lynch tem na ponta da língua: “Artista em depressão não cria; não consegue nem sair da cama! (Criar a partir do sofrimento) É uma idéia francesa. Acho que é uma maneira de artistas conseguirem garotas. Elas ficam com pena deles (risos). Dor não ajuda a criar. Artista não tem que sofrer para mostrar sofrimento”, concluiu.
Sete horas e 15 minutos de espera por um autógrafo
A sessão de autógrafos, marcada para começar às 16h, iniciou-se quinze minutos antes. As filas davam voltas pelos andares da livraria e ultrapassavam as portas da loja. Para agilizar o processo, seguranças diziam aos fãs que Lynch daria apenas um autógrafo por pessoa. Adriano Machado, músico, foi o primeiro a chegar, às 8h30. Admirador de todo o trabalho do cineasta, ele se disse “emocionado” por ter conseguido a assinatura do ídolo. Assista ao depoimento:
Na sexta-feira (8), David Lynch participa da gravação do programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Depois, o cineasta segue para o Rio de Janeiro no sábado (9), quando dará autógrafos, viaja a Porto Alegre no domingo (10) e retorna ao Rio na segunda-feira (11), para uma palestra.
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