Os gaúchos do Fresno possuem uma trajetória cada vez mais comum dentro da nova música brasileira. Através da internet, o grupo começou a conseguir um grande número de fãs, os shows aumentaram e Porto Alegre ficou pequena para eles.
Há dois anos em São Paulo, o Fresno lança seu primeiro disco dentro de uma grande gravadora, após três álbuns independentes. ?Redenção?, além de ser a estréia do grupo para o grande público, também marca o rompimento com o emocore que os consagrou.
Paralelo ao lançamento de ?Redenção?, a banda teve que enfrentar a saída de seu baterista, Pedro Cupertino, e gravou o programa ?Estúdio MTV Coca-Cola Zero?, onde registraram uma parceira inusitada com a dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó.
Em entrevista ao Abril.com, o vocalista do Fresno, Lucas Silveira, falou sobre as mudanças enfrentadas pelo grupo, a nova amizade com Chitãozinho e Xororó e, claro, o disco ?Redenção?.
Abril.com: O álbum ?Redenção? é uma transição dentro da sonoridade da banda. Qual seria a principal diferença desse trabalho com relação aos três anteriores?
Lucas Silveira: Existe uma mudança física que é o fato do [Rodrigo] Tavares (baixista do Fresno) ter entrado na banda, ele assina umas quatro músicas comigo. Fora o lance da composição do arranjo, que nós acabamos fazendo juntos. Tem também o contrato com a gravadora, esse é o primeiro disco do Fresno para muita gente, então nós procuramos consolidar esse trabalho para poder passar o que realmente a banda é, o momento que estamos vivendo.
Como os fãs da banda encaram as mudanças?
Sempre vai ter uma parcela que é muito apegada às músicas antigas. As letras acabam falando pra muita gente e algumas pessoas acabam se apegando a um determinado disco nosso, a uma fase nossa, e tratam aquilo como tivéssemos que fazer isso pra sempre. Uma parcela do nosso público disse que o CD não tem nada a ver e tal, mas no final das contas o pessoal vai se acostumando.
É difícil aceitar algo novo de uma banda, existem várias bandas que me decepcionaram por terem mudado. Sempre soubemos que poderíamos decepcionar algumas pessoas, mas nós temos que fazer aquilo que nos agrada e nos deixa felizes profissionalmente.
Tem bastante programação eletrônica em ?Redenção?, e boa parte dela foi você que fez. Você procurou se inspirar em algumas bandas na hora de fazer?
Por um tempo eu trabalhei numa produtora de jingles, e foi lá que eu aprendi a mexer nesse tipo de coisa, foi em 2004. No ?Ciano? [terceiro álbum do Fresno] já existe um pouco dessa programação, mas bem de leve. Esse disco foi fruto de eu ter aprendido a mexer com os programas, e de sempre ter a curiosidade de adicionar um outro tipo de som e deixar o instrumental um pouco diferente.
Existem muitas bandas que usam isso muito bem, como o Muse, com teclado e elementos eletrônicos junto com a guitarra, no meio do instrumental. Bandas mais eletrônicas como New Order, Depeche Mode, artistas novos como o Justice, que até vem tocar aqui. São artistas que me influenciam, não de fazer um som parecido, de referência mesmo. No Justice rola umas bases bem pesadas, não é aquele eletrônico murcho, é bem mais rock do que muita banda.
A produção, boa parte dela, foi feita pelo Rick Bonadio. Qual foi o papel dele na concepção do disco?
Eu acho que a gente, assim como qualquer banda, acaba tendo um medo de produtor. E o produtor nada mais é que uma pessoa de fora, opinando sobre aquilo. Quando você faz a música, tu achas que aquilo que você inseriu é importante, quando na verdade não é. Ele conseguiu ver isso. Nós tínhamos muitos arranjos, que no final das contas, acabavam confundindo. Em determinada parte onde tinha a guitarra, baixo e bateria, tudo queria chamar atenção, e nada aparecia. E o que o Rick fez, não só ele, mas o [Rodrigo] Castanho e o Paulo [Anhaia], que também produziram o disco, foi essa coisa de fazer cada parte falar o que tinha pra falar.
Faz quanto tempo que a banda toda mudou do Rio Grande do Sul pra São Paulo?
Uns dois anos.
Como foi essa adaptação aqui? Vocês acreditam que se tivessem continuado no Sul não teriam alcançado o sucesso que vocês têm agora?
Essa é uma questão de timing. O que acontece é que muitas bandas vem pra cá antes da hora, e acabam experimentando mais as dificuldades do que as facilidades dessa mudança. Tem banda que vem pra cá quando ainda não existe uma demanda. A concorrência aqui é muito maior, a qualidade da concorrência também é muito grande, é difícil de você aparecer aqui. Mas o que rolava pra gente é que já nos sentíamos totalmente estagnados no Sul. A gente tava vindo tocar direto nos finais de semana aqui em São Paulo. Estávamos praticamente morando aqui e voltando durante o final de semana pra Porto Alegre. Aí quando vimos, já estávamos morando de fato em São Paulo. Buscamos nossas coisas em Porto Alegre e mudamos de vez. E com certeza fez a banda aparecer mais.
Está passando na MTV o ?Estúdio MTV Coca-Cola Zero?, onde vocês tocam com o Chitãozinho e Xoxoró. Como rolou essa parceria?
Isso foi uma coisa muito louca. Desde que surgiu essa idéia, do ?Estúdio Coca-Cola?, começamos a pensar: ?imagina a gente no programa, nós e não sei lá quem?. E naquela época a gente já tinha pensado que se fosse para fazer tinha que ser com uma dupla sertaneja. E nos chamaram pra fazer com o Chitãozinho e Xororó, os caras que consolidaram a música sertaneja no Brasil. O convite veio só este ano. E para eles foi mais absurdo ainda. Eles nos conheciam de nome, nem sabiam o que a gente era. Começaram a saber mais porque ano passado eu cantei com a Sandy. Pra gente foi mais fácil, porque qualquer brasileiro conhece as músicas deles.
E como foi a relação entre vocês?
Eles são demais. Agora rola de vez em quando uns churrascos lá no sítio deles, em Campinas. É uma coisa que a gente pretende levar pra sempre, vamos até participar de um show deles dia 8 no Credicard Hall, em São Paulo. O ?Estúdio MTV Coca-Cola Zero? já foi gravado, mas ainda existe um laço entre nós que foi construído no programa.
No projeto ?Transmissões? do Myspace vocês tocaram ?Brincar de ser feliz?, do Chitãozinho e Xororó. Vocês incorporaram de vez essa música no repertório da banda?
Sempre que dá na nossa telha tocamos. Até os fãs da banda que acharam legal pedem.
No dia 17 de agosto vocês farão um show grande no Espaço das Américas. Como vai ser esse show?
O disco já saiu faz quatro meses, mas só agora vamos fazer o show de lançamento oficial. E vai ser um evento de comemoração, porque o disco já vendeu umas 20 mil cópias e continua vendendo bem. Vai ser também o show de inauguração da nova turnê, então vamos ter várias surpresas, tem gente vindo do interior de São Paulo para ver esse show, tudo porque vamos tocar algumas músicas que geralmente não tocamos. E vai ter abertura do Glória, que é uma banda de amigos nossos que estão tocando bastante, começando a aparecer.
No começo do ano o baterista Pedro Cupertino deixou o grupo. Como isso afetou a banda?
Foi uma coisa ruim porque foi bem no lançamento do disco, recém saído. Mas o que aconteceu foi que essas mudanças também foram para o nosso bem. A relação já não estava muito boa, e existia um medo de que isso influenciasse na trajetória da banda. E nós nos reunimos pra decidir isso, e a saída dele foi uma decisão meio que coletiva. Foi uma decisão visando o que era bom pra banda.
O novo baterista, Bell Ruschell, se adaptou bem?
Essa entrada dele foi tranqüila, pois ele já tinha tocado junto com o [Rodrigo] Tavares (baixista do Fresno) antes. Essa mudança nos forçou a ensaiar mais. E já surtiu uma evolução dentro da banda, nesse show novo as pessoas já vão sentir a diferença.
Em entrevista ao Abril.com, o guitarrista Gee, do NX Zero, comenta a mudança na sonoridade do Fresno.
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