04/08/2008 - 15:26 (atualizada em 03/09/2008 23:32)
Frank Sinatra Jr. mescla hits do pai com Bossa Nova
Filho de “The Voice” está em turnê pelo Brasil e falou com o Abril.com
Rafael Kato
Frank Sinatra Jr., filho de “The Voice”, não tem os olhos azuis do pai e também é um pouco mais gordinho do que “Frank Sênior”. No entanto, o timbre de voz é parecido e o repertório é praticamente o mesmo, exceto pelas canções brasileiras no set list.
O cantor está em turnê pelo Brasil com “Sinatra by Sinatra”. Até agora, já foram quatro apresentações em solo brasileiro. São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão no roteiro do músico. (O site da turnê tem a programação completa)
Sinatra Júnior, que viaja com sua inseparável orquestra, possui um conhecimento musical maior que o pai, e, embora defenda os Standards americanos e suas big bands, goza de um privilégio de média celebridade nos EUA. “Junior”, para os mais chegados, é figurinha carimbada em shows de cassinos em Las Vegas, o parque de diversões da América.
Em entrevista ao Abril.com, Sinatra Jr. revela aspectos da sua personalidade tímida, de sua música e dos shows no Brasil.
Abril.com: Qual é a diferença entre a sua música e a música de seu pai? Frank Sinatra Jr.: Na verdade meu pai era um intérprete que sabia escolher muito bem as suas músicas. São clássicos feitos por gênios como Cole Porter, Gershwin e tantos outros. Essa é a música que eu gosto de fazer, das grandes big bands. Então acho que a música é nossa, da humanidade. São as mesmas canções que ele cantava. Eu sou um músico, apresento as canções com os arranjos originais, feitos pelos melhores arranjadores para orquestra do mundo. É uma fidelidade às canções que faziam parte de seu repertório. E, seu eu não fosse filho dele, faria a mesma coisa. O que herdei na verdade foi o mesmo gosto musical
Frank, tem sido comentado que você é uma pessoa tímida. Você acredita que isso transparece quando você está no palco? Eu sou um músico, tenho alma de músico e me formei em regência. Acho que isso fica evidente no palco, minha relação com os músicos e maestro é muito grande, de iguais. Às vezes, pode parecer que não estou prestando atenção na platéia, mas estou sim. Estou fazendo a música da melhor maneira que posso para oferecer a todos.
Seu pai era conhecido por ser muito bom entre as mulheres. Você acredita que ser uma pessoa tímida o faz o oposto dele? Não acho que tenha a ver especificamente com o comportamento do meu pai. Creio que é só uma diferença de temperamento mesmo. Eu não diria que sou tímido, mas sim bem mais reservado do que ele. E nunca tive problemas com mulheres.
Aqui no Brasil é comum filhos de cantores famosos se tornarem cantores (como é o caso da filha de Elis Regina), mas é usual eles receberem muitas críticas. Você sofreu isso também nos EUA? Sim, isso é inevitável, ainda mais porque temos o timbre meio parecido, então diziam que eu estava tentando imitar, mas nunca me importei muito com isso. Como falei, meu talento é para a música, não para a celebridade. Só quero tocar e ser intérprete de um estilo de música que eu gosto, que quero manter vivo.
A escolha da turnê pelo Brasil em 2008, exatamente no ano que a Bossa Nova completa 50 anos, foi proposital? Foi uma grande coincidência, só isso, e, já que vim nesta época, não poderia deixar de prestar homenagem à Bossa Nova, que é parte da minha vida musical também.
O quanto você gosta de Bossa Nova? Você gostaria de ter gravado com Tom Jobim? Gosto muito de Bossa Nova. Já toquei muita Bossa Nova por todos os EUA. Sim adoraria ter gravado com ele, mas ele fez isso com Sinatra. Eu estive com ele diversas vezes na época que trabalhou com meu pai e tive a imensa honra de tê-lo no palco em um show que fiz em Las Vegas, tocando violão na minha banda. Aqui em São Paulo você irá cantar ao lado de Gal Costa. Você já conhecia o trabalho dela? Com que freqüência você ouve música brasileira? Não, você não está correto. Vou cantar “Dindi” e “Garota de Ipanema” com a talentosa e bela Marina de La Riva. Foi em Salvador, que cantei com Gal. Já conhecia gravações de Gal, claro, acho ela maravilhosa. Mas a Marina foi uma surpresa maravilhosa. Ela é um dos novos talentos daqui, com certeza. Uma voz linda e uma presença no palco com enorme carisma. Conheço bem a Bossa Nova, sou fã de Jobim. Conheço bem Villa-Lobos também. Creio que ele é um dos maiores compositores clássicos de todos os tempos.
Você cantou em Manaus, o que sentiu cantando na “Amazônia”? Foi uma experiencia inesquecível. 30 mil pessoas naquele lugar, um teatro lindo. Soube que é do tempo em que exploravam borracha, um dos mais lindos que já vi no mundo. Também tive a satisfação imensa de sobrevoar a floresta, era um sonho antigo que se tornou realidade.