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Marcos Valle faz shows em São Paulo e renova a Bossa Nova com o disco "Conecta"

Ícone do movimento, que completa 50 anos este ano, fala sobre sua nova fase e as comemorações da Bossa em entrevista exclusiva

Bruno Dias - 18/07/2008, 19:1
Divulgação
Marcos Valle se apresenta com Carlos Lyra, em São Paulo
Marcos Valle se apresenta com Carlos Lyra, em São Paulo

No ano em que comemoramos os 50 anos da Bossa Nova, um dos ícones do movimento, Marcos Valle, lança “Conecta”. O disco ao vivo com participações especiais de novos talentos da música brasileira como Marcelo Camelo, +2 e Fino Coletivo, dá um ar jovial ao estilo de João Gilberto.

Valle se apresenta no Sesc Pinheiros, em São Paulo, nos dia 19 e 20, com o parceiro de Bossa Carlos Lyra. No encontro inédito na capital paulista, vão tocar sucessos de suas carreiras.

Também em São Paulo, dessa vez no Bourbon Street, Valle fará o primeiro show da turnê do disco “Conecta”, na próxima quarta-feira (23). Em entrevista ao Abril.com o músico falou sobre seu último trabalho e claro, os 50 anos da Bossa Nova.

“Conecta” foi gravado no Cinemathèque, no Rio de Janeiro, uma casa de shows onde toca bastante gente nova. Quem escolheu esse local?

No ano passado eu fiz umas turnês pela Europa com vários shows bons, em festivais, essa coisa toda. Quando voltei, a banda que me acompanha nessas apresentações falou que a gente tinha que fazer um show desses, com essa energia, no Brasil.

Eu tinha pensado em um show e eles [produção do Cinemathèque, que o convidou para fazer as apresentações] logo falaram em quatro. E a idéia deles é que tivesse também convidados da nova geração. Mas que fossem artistas que eu me identificasse e que eles se identificassem comigo.

Você logo pensou em gravar o disco ou uma coisa levou a outra?

Eu estava fazendo um DVD com calma, com o Roberto de Oliveira, que fez os DVDs do Chico Buarque, do Tom Jobim. Mas que ia ser a médio prazo, porque são quatro caixas de DVD.

Eu falei pra ele: “você pode filmar [o show], começar a fazer o documentário”. No primeiro dia, gravamos de uma forma muito precária, mas quando vimos o resultado, sentimos as possibilidades, porque realmente estava bom demais. Aí no segundo dia nós levamos equipe, não só de filmagem, mas de som. E tanto que tivemos que refazer o primeiro dia, com o Fino Coletivo, pra colocar na mesma qualidade técnica dos outros dias. Foi aí que vimos que poderia ter um DVD.

Essas participações foram os produtores do show que sugeriram ou você que escolheu?

Foi em comum acordo. Começamos a pensar e o nome do Marcelo [Camelo, vocalista do Los Hermanos] passou pela minha cabeça porque eu já vinha observando o trabalho dele. Já tinha visto umas coisas na TV, ele já tinha me mandado os discos dele. E eu até pensei: “ele está saindo do Los Hermanos, não sei se vai querer fazer alguma coisa”. Então foi o primeiro nome.

Entrei em contato com o Marcelo, pelo e-mail, e ele me respondeu de uma maneira completamente carinhosa. Muito empolgado, disse que era meu fã, que era influenciado pela minha música, que tinha meus discos. “O que você quiser fazer, vamos fazer” foi o que ele disse. E aí começamos a pensar nos outros.

Já tinha ouvido os discos do Fino Coletivo e do +2 [projeto de Domenico Lancelotti, Kassin e Moreno Veloso], que eles tinham mandado pra mim, e já tinha gostado muito. A receptividade deles foi igual a do Marcelo. A vontade de fazer foi muito grande.

Com relação ao repertório, como foi feita a escolha? Principalmente quando há participações especiais...

A parte na qual eu toco com a minha banda foi uma escolha minha. Porque eu me baseei nessa última turnê que eu tinha feito na Europa. Eu tinha incluído algumas músicas que eu não tocava há algum tempo, como “Wanda Vidal” e “Garra”. Aí inclui também algumas músicas do “Jet Samba”. E outras que já fazem bastante sucesso no meio dessa garotada que me ouve lá fora, como “Batucada Surgiu”, “Mentira”, e outras.

Quanto aos convidados, eles sugeriram e eu acabei comprando. Era muito importante essa troca de idéias. Como também tocavam músicas minhas a sugestão partiu deles. O Marcelo gostava de “Nem Paletó Nem Gravata”, ele achava que tinha muito a ver com uma música dele que se chama “O Vencedor”.

Quando eu ouvi fiquei amarradão. Fizemos o arranjo juntando as duas, entrando uma por dentro da outra. E realmente é surpreendente porque as duas se encaixaram muito bem. Ele também me pediu pra fazer “Samba de Verão”, aí fizemos uma leitura que ele começa e depois eu entro. Eu queria gravar uma outra dele, que é o “Cara Valente”, e ele falou: “vamos embora”.

Já no caso do +2 eu peguei duas músicas. Eles me pediram “Estrelar”, que já era uma faixa que muita gente me pedia pra incluir no show. Eles me puxaram essa vontade, a gente colocou e o resultado foi ótimo. Tanto que agora ela está incorporada definitivamente no repertório.

No caso do Fino Coletivo são duas deles. Mas aí foi idéia minha, eu gostava muito do disco deles inteiro. Mas achei que “Dragão” e “Boa Hora” se encaixavam melhor no meu repertório.

Na próxima quarta-feira (23) você vai levar esse show pro Bourbon Street, em São Paulo. Vai ser o primeiro show aqui em São Paulo? Vai ter alguma participação especial?

É o primeiro. Vai ter participação do +2 e do Plínio Profeta. E nós vamos tocar esse repertório do CD e do DVD. Depois é que estamos armando outros shows pelo Brasil antes das apresentações pelo exterior.

No final de semana você faz dois shows junto com o Carlos Lyra, em São Paulo. Como serão esses shows?

Eu e o Carlinhos estamos pensando nesse show já faz um tempo. De uns três anos pra cá, eu e o Carlos estreitamos uma amizade muito grande. A gente já se conhecia desde a época da Bossa Nova, mas hoje temos uma amizade muito forte.

Vínhamos pensando na possibilidade de um dia fazer uma apresentação juntos, aí nós estivemos na Europa, fazendo uns shows de 50 anos da Bossa Nova, não só eu e Carlos, mas João Donato, Roberto Menescal, Joyce. Quando terminou esse show, Carlos e eu resolvemos ficar pra curtir um pouco com as nossas mulheres. Permanecemos uns três dias por lá. Nisso fizemos um show no Centro Cultural de Londres, uma coisa descontraída, intimista, mas que teve uma repercussão muito boa para o público e pra nós. Aí quando chegamos aqui, resolvemos levar a sério esse lance e montamos esse show.
Vamos tocar algumas das principais músicas dele e algumas das minhas. E uma música nova, que é a nossa primeira parceria, gravada pelo Emílio Santiago, chamada “Até o fim”. Então vai ser a primeira vez que vamos tocar ela juntos e também a primeira vez que fazemos esse show em São Paulo.

Essa semana o João Donato disse em entrevista “que está de saco cheio de ouvir falar em Bossa Nova”. Que o lance dele é jazz e que agora todo mundo o procura por causa dos 50 anos da Bossa. O que você acha disso? Também está acontecendo com você?

Na verdade comigo não está muito assim porque tem o disco do Cinemathèque. Aí meio que se dividiu, entre a Bossa Nova e esse disco. E no fundo eu vejo que o disco do Cinemathèque mostra que a Bossa Nova tem mais 50 anos pela frente e não só os 50 pra trás.

Eu discordo um pouco do Donato. Nunca se falou tanto em Bossa Nova, eu acho que isso veio pra consolidar. Quando a Bossa começou tudo era Bossa Nova, carro Bossa Nova, presidente Bossa Nova. Foi bom para marcar. Esse marketing em cima da Bossa Nova, que está todo mundo falando, está parecendo aquele início. É um ano, que vai acabar. Nós já estamos em julho, quando chegar em dezembro vai tudo voltar a normalidade. Então eu acho que vale a pena sim, a gente aproveitar esse momento, porque marca e é bom pra todo mundo.

O Donato tem o estilo dele, e eu tenho o meu. É que na verdade ele é como eu, não é só Bossa Nova. Ele tem coisas com jazz, com música cubana. O Donato vai pra Austrália comigo, ele vai fazer coisas relacionadas aos 50 anos da Bossa Nova. Mas eu acho bom ter essas discussões em cima da Bossa Nova, porque se só ficar falando bem, daqui a pouco não tem mais o que falar.



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