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Diversão

08/07/2008 - 18:47 (atualizada em 03/09/2008 23:28)

Tom Jobim e Vinicius de Moraes criam "Garota de Ipanema"

Dois parceiros de copo e canção viram Helô passar e compuseram um mito que alimenta a imaginação do mundo

Da Redação Bravo!

?Seu nome é Heloísa Eneida Menezes Pais Pinto, mas todos a chamam de Helô. Há três anos ela passava ali no cruzamento da Montenegro e Prudente de Morais, e nós a achávamos demais. De nosso posto de observação, no Veloso, enxugando a nossa cervejinha, Tom e eu emudecíamos à sua vinda maravilhosa.? É Vinicius de Moraes quem relata como a musa inspiradora, Helô Pinheiro, deu origem à apoteose poética e musical do voyerismo de boteco carioca, ?Garota de Ipanema?.

A inspiração pela musa se deu mesmo na mesinha do Veloso, mas os parceiros não escreveram a canção ali, entre copos de cerveja. Vinicius, em sua casa em Petrópolis, mostrou a letra a Tom, que, por sua vez, a musicou em sua própria residência, na rua Barão da Torre.

Inicialmente pensada para integrar Blimp, uma comédia da dupla que nunca saiu do papel, ?Garota de Ipanema? ganhou pela primeira vez os ouvidos do público no show Encontro, em 2 de agosto de 1962. Foi um espetáculo antológico que reuniu a ?santíssima trindade? da bossa nova. Vinicius, Tom e João Gilberto ficaram 45 dias em cartaz e lançaram ainda dois outros clássicos na noite da estréia da música: ?Samba do Avião? e ?Só Danço Samba?. Tocadas pelo conjunto Os Cariocas, habitué das canções do trio, as músicas foram gravadas em disco em 1963. Mas, no caso de ?Garota de Ipanema?, o lançamento no mercado fonográfico aconteceu pouco tempo antes, na voz de Pery Ribeiro, que incluiu a canção no álbum Pery É Todo Bossa.

?Esse é um sentimento universal?, disse Tom Jobim. ?O cara pára de tomar um chope e olha para a garota, não é? É claro que quando a gente fez não pensou em nada disso. A gente só via a garota passar. O Vinicius era casado, eu era casado, e a garota que passava por ali era muito jovem.? A própria Helô Pinheiro só descobriu sua qualidade de musa da canção em 1965. ?E lá ia ela toda linda, a garota de Ipanema, desenvolvendo no percurso a geometria espacial de seu balanceio quase samba?, descreveu Vinicius. Quando inspirou a canção, a moça tinha 15 anos e era tímida quanto convinha a uma musa inalcançável.

?Nem cantávamos para ela quando passava, primeiro porque não podia tocar violão no botequim?, lembrou Tom em uma entrevista. ?O português proibiu logo porque violão dá briga. Nossa atitude era bem discreta. Inclusive a garota era filha de um general do SNI [Serviço Nacional de Informação, do regime militar]. Mas nós não sabíamos disso. Nos estávamos ali por causa do chope, não é??

Em mais de 40 anos, ?Garota de Ipanema? já mereceu centenas de regravações, desde a primeira com Os Cariocas, ainda recendendo à inspiração de Helô Pinheiro, passando pela versão em inglês de Astrud Gilberto e Stan Getz (The Girl from Ipanema), com a qual a cantora encantou os americanos e recebeu quatro Grammy, até as versões de Baden Powell, Elis Regina, Nara Leão, Leny Andrade e Tim Maia, no Brasil, ou de Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Louis Armstrong. Detentora, com folga, do título de canção brasileira mais conhecida no exterior, ?Garota de Ipanema? já foi citada como a mais tocada no planeta em todos os tempos, embora não seja possível dizer com certeza.

Números à parte, a importância das conquistas da ?menina que vem e que passa? e a longevidade da sua sedução mundo afora são inegáveis. ?Para ela fizemos?, disse Vinicius, ?com todo respeito e mudo encantamento, o samba que a colocou nas manchetes do mundo inteiro e fez da nossa querida Ipanema uma palavra mágica para os ouvintes estrangeiros.?

 

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