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Diversão

08/07/2008 - 11:05 (atualizada em 03/09/2008 23:28)

Tom Jobim e Chico Buarque unidos pela música

Por intermédio de Vinicius, Tom Jobim conheceu Chico Buarque, com quem fez outra grande e importante parceria da música brasileira

Da Redação Bravo!

Destino, coincidência, sincronicidade... o nome não importa. O fascinante da história de Tom Jobim e Chico Buarque de Hollanda é que a primeira valsa, chamada "Imagina", composta pelo maestro, em 1947, ganhou letra de Chico alguns anos depois. E com ele Tom criou obras-primas da música brasileira, como "Retrato em Branco e Preto", "Sabiá", "Anos Dourados", "Carta do Tom" (resposta à "Carta ao Tom", de Vinicius e Toquinho), "Meninos", "Eu Vi".

O responsável por esse encontro de compositores ilustres foi o poeta Vinicius de Moraes, que freqüentava a casa dos Buarque de Hollanda. Há quem diga que Chico foi o novo Vinicius de Tom. Não foi, mas isso não fere a genialidade de Chico, que começou a compor bem jovem, aos 20 anos, e antes mesmo dos 30 anos fez obras-primas como "A Banda" (1966), "Gente Humilde", com Vinicius (1969), e "Apesar de Você" (1970) que chegou a vender 100 mil cópias e foi censurada pelos militares. Naquela época, o poeta Carlos Drumond de Andrade resumiu tudo no jornal carioca Correio da Manhã: "Todos que viram a banda passar, por uns minutos, se sentiram melhores. E se o que era doce acabou, depois que a banda passou, que venha outra banda, Chico, e que nunca uma banda como essa deixe de musicalizar a alma da gente. A declaração foi publicada em 14 de outubro de 1966."

O sucesso da parceria, sugerida pelo próprio Tom que achava Chico musicalíssimo, afinadíssimo, o rei da melodia, foi imediato. Logo de cara a dupla estourou com "Retrato em Branco e Preto", em 1968, e até a década de 80 fizeram mais 11 músicas. "O Retrato em Branco e Preto, juro que não tem uma palavra minha ali... Quando chamo meus queridos letristas dou a eles uma proposição de letra que estraga muito as coisas, porque eu tenho uma tendência à verborragia, à falastrice. Ultimamente tenho parado com isso... Com Chico tudo o que fiz deu certo, revelou Tom. Tudo o que fiz foi para Tom", disse Chico quando perdeu o amigo.

Além de "Retrato", no mesmo ano, os parceiros ganharam o III Festival Internacional da Canção, com "Sabiá". Dessa vez, no lugar de aplausos eles receberam a maior vaia de suas vidas. O público que lotava o Maracanãzinho considerou a canção alienada, em relação à música "Caminhando", de cunho político, de Geraldo Vandré. Tom não queria participar do evento, no entanto, para evitar ser membro do júri, inscreveu "Sabiá".

No festival seguinte, o maestro aderiu ao boicote dos amigos músicos, incluindo Chico, que estavam revoltados com a censura, e entrou para a lista negra da ditadura militar. Na década de 70, Tom compôs dezenas de músicas instrumentais, sem letra, mas no início dos anos 80, voltou a ser parceiro de Chico e a criar canções inesquecíveis como "Anos Dourados" e "Eu Te Amo", tema do filme de Arnaldo Jabor, que leva o mesmo nome, de 1981.

 

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