08/07/2008 - 10:44 (atualizada em 03/09/2008 23:28)
Vinicius e Tom - a maior dupla que o Brasil viu tocar
Dois gênios da música se juntaram e produziram verdadeiras obras de arte para os ouvidos do mundo
Da Redação Bravo!
Eu Não Existo Sem Você é o título de uma composição de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, de 1956, ano em que se conheceram. Ela fala de amor, como a maioria das canções que fizeram juntos, no entanto, poderia intitular uma das parcerias mais criativas e bem-sucedidas da história da música brasileira. Fiz Eu Não Existo Sem Você na cozinha do apartamento da Rua Nascimento Silva, 107. De repente, 1 hora da manhã, levantei da cama e fui fritar ovo. E fazendo o ovo: ...e todo grande amor só é bem grande se for triste. Em cinco minutos estava pronta. O Vinicius botou uma letra em dez minutos, contou.
Sem dúvida, Tom existiria sem Vinicius, e vice-versa. Ambos eram geniais, verdadeiros mestres em suas artes. Porém, se maestro e poeta não tivessem se encontrado numa tarde de maio, de 1956, num bar do centro do Rio, o Villariño, o amor não teria sido exaltado em toda sua plenitude, o amor não doeria em paz. Quem mais poderia compor Se Todos Fossem Iguais a Você, Canção do Amor Demais, Eu Sei Que Vou Te Amar, Água de Beber, Garota de Ipanema, Ela É Carioca e Lamento, entre tantas outras canções inesquecíveis?
Os primeiros sambas da dupla foram feitos para a peça Orfeu da Conceição, que estreou no Teatro Municipal do Rio, em 25 de setembro de 1956. Contudo, até que surgisse a obra-prima Se Todos Fossem Iguais a Você, três composições foram para o lixo. Orfeu inaugurou a parceria maestro-poeta, que durou cerca de oito anos e foi intensa e produtiva. O poeta é terrível e suas palavras levam minhas mãos a acordes entre plantas retorcidas e longínquas galáxias, descreveu Tom Jobim.
Nessa sintonia fina nasceu, em 1962, o maior sucesso de Tom e Vinicius: Garota de Ipanema, uma das canções mais executadas do planeta. Composta, a princípio, sem musa inspiradora, o título da primeira versão era Menina Que Passa, cuja letra em nada lembra Garota. ...vinha cansado de tudo, de tantos caminhos, tão sem poesia, tão sem passarinho, com medo da vida, com medo de amar...
Maestro e poeta reprovaram a letra, até surgir uma jovem carioca, Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, a Helô Pinheiro, com seu balanço a caminho do mar, que a melodia reproduziu de forma tão fascinante. Aí, sim, com a musa que passava em frente ao Bar Veloso, hoje chamado Garota de Ipanema, a letra ficou impecável.
A música foi gravada em inglês por Astrud Gilberto, mulher de João Gilberto, com letra de Norman Gimbel The Girl From Ipanema. E conquistou o mundo na voz de Frank Sinatra. Se não fosse Garota de Ipanema, que fiz com o Vinicius e gravei com Sinatra, a essa altura eu estaria fazendo jingles para a televisão e pagando papagaio em bancos, disse Tom, referindo-se a seu maior sucesso comercial. Entre 1963 e 1965, a canção foi gravada cerca de 40 vezes no Brasil e nos Estados Unidos. Em 25 anos, ultrapassou 3 milhões de execuções em emissoras de rádio e televisão. Com o sucesso estrondoso, Tom e Vinicius passaram a viajar muito e cada um seguiu seu caminho. Outros parceiros entraram em cena, mas a amizade durou até a morte do poeta, em julho de 1980.
Dizem que é comum a briga entre parceiros. Acho que eu e Vinicius quebramos esse tabu. Há anos fazemos muitas concessões. E, quando chegamos à conclusão que alguma coisa não pode ser, nenhum dos dois se aborrece