Diversão

19/05/2008 - 19:43 (atualizada em 03/09/2008 23:34)

Além de vilões tradicionais, Indy encara público do século 21

Quarta aventura do arqueólogo tem elementos de ficção-científica, acrobacias inacreditáveis e muita ação - tudo à moda antiga

Por Diego Maia

A tarefa de "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" não é nada fácil: mais do que reintroduzir um personagem muito querido, protagonista de uma das franquias de maior sucesso da história, o filme precisa sobreviver aos críticos e ao público que, dezenove anos atrás, vibravam e se encantavam com as peripécias antiquadas do arqueólogo (e que exigem reviver essas sensações hoje, com o lançamento do novo filme).

Se depender do que os jornalistas brasileiros viram na primeira sessão de imprensa do filme, realizada nesta segunda-feira (19) em São Paulo, Indy volta com capacidade de agradar até ao mais nostálgico dos críticos. A parte mais dura de sua missão, no entanto, será conquistar platéias mais jovens, que só agora têm contato com o famoso herói.

"Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" mistura, em duas horas e seis minutos, referências que vão das aventuras de James Bond (os vilões soviéticos) à ficção-científica bem ao gosto do que Steven Spielberg (o pai de "E.T." e "Contatos Imediatos do Terceiro Grau") e George Lucas ("Star Wars") adoram. É como uma revista de quadrinhos vagabunda, ingênua e deliciosa, impressa nos anos 50 e filmada cinco décadas depois com tecnologia de ponta.

E, sim, você leu bem: ficção-científica. Esse ingrediente bem típico das matinês que Spielberg e Lucas tanto assistiram aparece agora na série. Uma bomba atômica, Roswell, poderes extraterrenos e até portais para outra dimensão estão na história do quarto filme, que começa com Indy sendo levado por comunistas a um depósito militar. Depois de uma fuga espetacular, o arqueólogo é procurado pelo jovem Mutt (o ótimo Shia LaBeouf, astro de "Transformers"), que pede sua ajuda em uma missão para encontrar um lendário crânio de cristal na selva peruana. No caminho, Indy enfrenta os comunistas, interessados nos poderes paranormais que o artefato supostamente guarda, e tem pelo menos duas grandes surpresas que o deixam desnorteado.

Com esse espírito à moda antiga, o filme deve agradar aos fãs da série original. Mas, por se render à fantasia e à ficção-científica com tanta alegria, "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" corre o grande risco de ser rejeitado por platéias mais novas, acostumadas a heróis mais realistas. Dezenove anos depois, o personagem de Harrison Ford (ator que já tem 65 anos) ainda pula, se pendura com a ajuda de seu chicote, derrota vilões no soco e sobrevive a três cachoeiras sem perder o chapéu. Sua inteligência ainda é sobre-humana. Suas acrobacias são inacreditáveis. Seus inimigos ainda são caricaturas grosseiras e excessivas (e saiba desde já que Cate Blanchett se entrega a esse papel como ninguém). Será ação irreal demais para tempos em que até o comportamento de heróis como Batman precisa ser explicado nos mínimos detalhes (vide "Batman Begins")?

Os 19 anos que separam "Indiana Jones e a Última Cruzada" de "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" mudaram o mundo do personagem: os vilões não são mais os nazistas, a universidade em que ele leciona já não é mais a mesma, o pai de Indy se foi, os amores ficaram para trás. Mas, acima de tudo, essas duas décadas transformaram completamente o mundo do cinema. Os filmes de ação e aventura feitos hoje são mais frenéticos, mais excessivos, mais barulhentos e se escoram mais em efeitos especiais do que antigamente.

Indiana Jones, por sua vez, chega ao século 21 ainda apostando nas referências pulp, em protagonistas carismáticos e em tramas ingênuas que fizeram a festa de crianças e adolescentes nos anos 80. Por tudo isso, ganhar as crianças e adolescentes de hoje deve ser a missão mais espinhosa já enfrentada pelo homem do chapéu em sua longa história de desventuras.

 

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