14/05/2008 - 13:23 (atualizada em 03/09/2008 23:34)
Como se tornar um arqueólogo
No Brasil, é preciso mestrado, e às vezes até doutorado, para dar uma de Indiana Jones
Da redação
Quando se fala em arqueologia, a gente logo pensa no Indiana Jones. Mas a vida real dos arqueólogos não tem tantas aventuras assim. ¿Nossa função é explicar fenômenos e contribuir para a história de um país, ou de um grupo, utilizando como documentos os vestígios materiais¿, diz o arqueólogo Paulo Zanettini, dono de uma empresa que presta serviços na área, um novo campo de trabalho a ser explorado nessa profissão.
O caminho até lá É preciso paciência para se tornar arqueólogo no Brasil. ¿Não há um curso de graduação formal¿, diz o arqueólogo José Luiz de Morais, presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira. A saída é se formar primeiro em um curso como ciências sociais, história, geografia ou geologia. Depois, na pós-graduação, é que é feita a especialização em arqueologia. No Brasil, as principais pós-graduações são:
São Paulo ¿ USP - mestrado (3 anos e meio) e doutorado (4 anos e meio) ¿ Unisa - mestrado (1 ano)
Pernambuco ¿ UFPE - mestrado (2 anos) e doutorado (3 anos) ¿ Rio Grande do Sul ¿ PUC-RS - mestrado e doutorado em história, com linha de pesquisa em arqueologia (2 a 3 anos)
E na hora de trabalhar? O trabalho nas escavações consome só 20% do tempo de um arqueólogo. O restante é destinado à análise dos objetos coletados e à produção de relatórios. Quanto ao mercado, a arqueologia ganhou impulso na última década com as crescentes exigências de estudos de impactos ambientais antes da execução de grandes obras. Com isso, empresas e órgãos governamentais passaram a contratar profissionais para fazer escavações, antes de as obras serem iniciadas, em busca de eventuais vestígios arqueológicos. Também existem possibilidades de emprego em museus e universidades.
O que você ganha em troca Quanto mais anos de estudo e títulos de pós-graduação, melhor é a remuneração. Em média, um arqueólogo em início de carreira ganha entre 1 500 e 1 800 reais.
¿(texto publicado na revista Mundo Estranho, edição 19, em setembro de 2003)