27/02/2008 - 10:53 (atualizada em 03/09/2008 23:29)
Tim Maia ganha biografia com fotos raras da carreira
Guilherme Massa
Às vésperas de o Brasil relembrar os 10 anos de sua morte (no dia 15 de março), o músico ganha uma biografia. Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia (Objetiva, 392 páginas, 49,90 reais), escrito pelo jornalista e produtor musical Nelson Motta, 64 anos, é uma viagem cheia de humor, drama, álcool (muito), drogas (muitas) e comida (todas) pela vida de uma figura que pecava pela sinceridade.
Nelson Motta conta como foi o trabalho de resgatar as histórias de Tim Maia:
Por que o título Vale-Tudo para o livro? Motta: Expressa bem a vida do Tim. Ele pagou o preço por falar tudo o que pensava. Ele queria tudo em excesso, não tinha limites.
Como era sua relação com o Tim Maia? Motta: Convivi com ele desde 1969, quando ele gravou com a Elis Regina (a música These are The Songs). O Tim era completamente paranóico, desconfiado. Ele não passava em branco em lugar nenhum. Não pagava a conta do supermercado, só pra chamar a atenção.
E a história de colocar o peso do Tim Maia no nome dos capítulos? Motta: Isso foi uma brincadeira. Se ele tivesse vivo, ia ficar furioso. Ele não gostava que falassem que ele era gordo. Com os amigos, ele xingava se brincassem sobre isso, mas depois ficava tudo bem.
Qual foi a parte mais difícil de reconstituir da vida do Tim Maia? Motta: A vida em Nova York e nos EUA. Eu não conhecia ninguém pra confirmar as histórias. A sorte é que eu morei em NY por muito anos, e Tarrytown (cidade vizinha onde Tim morou) não mudou nada, o que também ajudou. Continua lá com as mansões, bem estilo anos 60, e uma população de umas 40 mil pessoas, só rico.
O livro acaba bem no momento da morte do Tim Maia. Foi uma opção não falar da repercussão da morte ou conversar com outros? Motta: Isso foi uma opção desde o começo. Não queria aprofundar em nada do sofrimento dele, dos médicos, hospital... isso não iria acrescentar nada sobre quem foi o Tim Maia. Tentei contar tudo o que ele foi: um cara doidão.
Se Tim Maia não fosse desbocado, teria sido o Rei no lugar de Roberto Carlos? Motta: Nunca seria um Roberto Carlos. O Tim não era mainstream, não era bom moço igual ao Roberto; era polêmico. Ele era cultuado, adorado no meio musical, mas jogou fora muitas oportunidades. Ele dizia: "Se eu não fosse doidão, seria muito maior".
A música brasileira tem algum sucessor do Tim Maia? Motta: O Lobão e o Marcelo D2 são sucessores do jeito doidão, provocador do Tim. O Lobão tem esse lado político e o D2 o lance rebelde. Eu até conto no livro que o Marcelo, no começo da carreira, subiu no morro pra buscar um baseado pro Tim Maia.