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Diversão

09/11/2007 - 16:03 (atualizada em 03/09/2008 23:28)

Toy Art: Epidemia de plástico

O movimento que virou febre nos Estados Unidos, Europa e Ásia desembarca no país e conquista colecionadores e artistas brazucas

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Em 1997, Michael Lau, um pintor e designer de Hong Kong de 26 anos, foi chamado por amigos da banda Anodize para criar a capa de seu novo CD. Lau decidiu customizar alguns bonecos dos Comandos em Ação (ou G.I. Joe) para deixá-los parecidos com os integrantes da banda e depois fotografá-los. Pouca gente conhece hoje a banda Anodize. Mas Michael Lau é uma estrela - pelo menos no mundo que ajudou a criar: o mundo da toy art . Logo depois de seus primeiros G.I. Joes, Lau criou um personagem de quadrinhos chamado Maxx, um skatista cool cheio de piercings e tattoos. Em pouco tempo, Maxx já era um boneco de 30 cm de altura e parte de uma grande coleção, chamada Gardeners. Viraram febre, ganharam seguidores, primeiro entre jovens descolados de Hong Kong e do Japão e depois entre o pessoal de moda, música e arte na Europa e nos Estados Unidos. Uma indústria começava a entrar em movimento, envolvendo artistas, ilustradores e grafiteiros de um lado, interessados e colecionadores de outro.

Os primeiros toys, criados há oito ou nove anos, hoje são considerados itens de colecionador: vendidos inicialmente por 20 dólares, hoje chegam a valer mais de 10 mil verdinhas. "Mas a toy art geralmente é algo muito acessível, dá para começar uma coleção com um boneco de 30 reais", diz Nina Sander, proprietária da primeira loja de toy art no Brasil. Nina descobriu a toy art em 2001, numa viagem para Nova York. Colecionadora nata (tem em sua casa coleções de quadros, fotos, vasos, cinzeiros), logo aderiu à tendência. Virou freqüentadora de lojas hoje consagradas em Nova York, como a Kid Robot, no bairro do Soho, a Giant Robot, no East Village, e a Yoya Mart, no Meatpacking District, o bairro da moda atualmente. Em Paris, descobriu toys na loja Colette. A cada viagem comprava um novo bonequinho. Hoje tem mais de 50. De colecionadora, a bela morena de olhos claros passou a empresária: saiu garimpando toys, principalmente na Internet, para montar sua loja em São Paulo. Em dezembro, abriu a Plastik, num sobrado com uma galeria de arte em cima e loja embaixo, onde são vendidos peças de decoração, livros e, claro, os toys, que custam de 17 a 590 reais. O movimento já tem adeptos no país, como o arquiteto e Homem do Ano VIP 2005 Marcelo Rosenbaum (que além de fã dos toys desenhou a loja Plastik), o apresentador e músico João Gordo, o florista Vic Meireles e as estilistas Juliana Jabour e Adriana Barra, todos colecionadores. " Toy art retrata um pouco da parte criança que temos, mas de uma forma mais contemporânea", diz Adriana.

As peças de toy art ou urban vinyl, como é chamado o movimento nos Estados Unidos (por causa do vinil, material em que são feitas) têm pouco em comum com bonecos como o Ken, marido da Barbie, ou os próprios G.I. Joes. Aliás, nem são feitos para crianças (a maioria dos colecionadores tenta deixar os filhos longe de seus brinquedinhos). São peças criadas por artistas, em edições limitadas (de poucas centenas a alguns milhares) e totalmente originais. "O que faz um toy ser mais caro do que outro é sua raridade e a importância do artista que o criou", explica Nina. Podem ser bichinhos pintados por grafiteiros, como o Dunny e o Bearbrick (já considerados clássicos da toy art ), coelhinhos, como o Smokin'Labbit, que traz sempre um cigarro na boca (!), bonecas góticas como as da artista americana Camille Rosa Garcia, que nasceram em quadros de arte contemporânea ou bonecos punks criados por ilustradores de capas de CD (como Pus Head, literalmente Cabeça de Pus, ilustrador cult dos CDs da banda Metallica).

Em comum, os toys têm o fato de serem superurbanos, colecionáveis, de se valorizarem com o tempo e de sempre ter um novo a caminho. O movimento conquistou marcas de prestígio como a Chanel, que fez uma vitrine de toys em sua loja parisiense, a Nike, que contratou Michael Lau como garoto-propaganda, e a Levi's, que chamou artistas de toy art para customizar jeans. Até os criadores de desenhos animados da tradicionalHanna Barbera se renderam à moda e criam seus toys, aliás, caríssimos. Entre os artistas mais famosos no meio hoje, estão nomes como o inglês James Jarvis, o americano Gary Baseman, o japonês Yoshitomo Nara e o espanhol Frank Kosik. No Brasil, o movimento está começando, geralmente de forma artesanal. Já há marcas dedicadas aos bonecos como Tosco Toys e Sincrônica, além de artistas, como os da galeria Choque Cultural, em São Paulo. O ponto de encontro desse pessoal? A Plastik, claro, que com sua fachada viva criada por artistas (deve mudar a cada três meses) virou o centro do núcleo nacional de toy art .

PLASTIK - Rua Melo Alves, 459, Cerqueira César, São Paulo, tel.: 3081-2056.

Elemento Surpresa

Estamos falando de brinquedo, e portanto, não poderia deixar de ter um forte lado lúdico na toy art . Os bonecos geralmente são vendidos em séries com dez, 15 variações (criadas por artistas diferentes) que vêm em caixinhas fechadas, chamadas "blind box". Ao comprar um destes toys não dá pra saber na hora que boneco está lá dentro. Para tornar a brincadeira mais interessante, dentro da mesma série há toys mais raros que outros. Resultado: hordas de fãs, que, segundo Kichi (que é colecionador, expert no assunto e vendedor da Plastik), chegaram a usar óculos com funções de raio-X para saber qual boneco estavam comprando (só pra garantir que isso não aconteça, os fabricantes japoneses agora usam embalagens metalizadas dentro das caixas). É um mix da cultura da figurinha com caixinhas da sorte, com uma roupagem bem século 21.

Por falar em boneca...

Na loja Plastik, em São Paulo, nem sempre é fácil se concentrar nos brinquedos. Quem captura a atenção é a proprietária Nina Sander, 26 anos. Nina é dona também de uma beleza única, desafiadora. Os luminosos olhos verdes e o rosto longilíneo são emoldurados por cabelos descoloridos e repicados em vários comprimentos. Combinam bem com o estilo desta paulistana de família tradicional, que sempre foi ligada em arte. "Minha família é colecionadora", diz ela. Nina cresceu no Brasil, fez colegial na Suíça e depois foi para os Estados Unidos. Tentou estudar em Boston, mas fugiu do frio e optou pela Califórnia. Estava em casa: morando na praia - Nina surfa todos os finais de semana - e rodeada de gente moderna. Fez cursos de museologia e fotografia e se formou em história da arte na Universidade de San Diego. De volta ao Brasil, envolveu-se com negócios da família até que, há três meses, concretizou seu sonho ao abrir a Plastik, misto de loja e galeria. Os toys, que viraram o principal produto de seu negócio, ainda fazem brilhar seus olhos. "Adoro os ursos grandões da marca japonesa Bearbrick", diz Nina. "E me seguro para não abrir as caixinhas-surpresa da loja."
 

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