28/09/2007 - 16:27 (atualizada em 03/09/2008 23:33)
Cirque du Soleil: um salto para o sucesso
Ewerthon Tobace
A vida de artista do picadeiro entrou na vida de Wellington Lima por acaso. O pernambucano planejava uma promissora carreira como atleta. Mas, aos 19 anos, resolveu tomar um novo rumo na sua vida. A família, que até hoje mora no Recife, não entendeu muito bem essa troca. "Eles ainda não têm idéia da grandiosidade e do profissionalismo do circo", diz o brasileiro, que há 9 anos trabalha para o Cirque du Soleil.
Fera no trampolim acrobático, Wellington, hoje com 27 anos, chegou a integrar a seleção olímpica brasileira da modalidade. Deixou o Recife para treinar com a seleção no Rio de Janeiro. Foi lá que acabou sendo convidado para fazer um teste para Cirque du Soleil. "A princípio não quis, pois meu sonho era representar o Brasil no esporte", confessa ele. "Nem sabia da existência desse circo, e acho que foi até bom, pois no dia do teste estava muito tranquilo", emenda.
Antes disso, o jovem já tinha experimentado a sensação de trabalhar no circo. Por um tempo, ele participou do Grande Circo Popular do Brasil, de Marcos Frota. "Não tinha intenção nenhuma de seguir a carreira artística", conta.
Após passar pelos treinamentos no Canadá, Wellington ficou por sete anos no show La Nouba, em cartaz no complexo de diversões da Disney, em Orlando, nos Estados Unidos. Agora, ele integra o elenco de Dralion, um show itinerante, atualmente em cartaz no Japão.
Abril: Quando você ouviu falar pela primeira vez no Cirque du Soleil?
Wellington Lima: Foi em 1996, quando trabalhava num projeto social em Recife chamado Circo do Mundo, no qual dava aulas para crianças. Esse projeto tinha uma ligação com o Cirque du Soleil e eu não sabia. Um dia vi um vídeo, o do show Saltimbanco, que inclusive esteve no Brasil. Achei aquilo maravilhoso, fantástico¿
Abril: E mesmo assim não deu vontade de fazer parte desse grupo?
WL: Não. Nunca me vi trabalhando no circo. Queria ser atleta mesmo e representar o Brasil.
Abril: Você já está no circo há nove anos. Pretende ficar muito mais? Quais são seus planos?
WL: Bom, nesse período em que estou aqui já mudei de show. Isso é uma evolução, é uma maneira de crescer dentro do circo. No La Nouba eu ajudei na criação do número e, agora, no Dralion, também participei do processo. Está sendo uma boa experiência. Com o circo, conheci a Europa e agora o Japão. Mas chega uma hora que temos de parar e pensar como vai ser nosso futuro. Sonho ter uma família, filhos. A vida de acrobata não é para sempre e vai chegar uma hora em que terei de decidir qual será meu rumo.
Abril: Outra coisa interessante no circo é que ele reúne pessoas de várias partes do mundo¿
WL: O interessante é número do trampolim. No Dralion, a maioria dos artistas são chineses. Mas no nosso número são sete pessoas de cinco nacionalidades diferentes.
Abril: E conviver com pessoas com uma cultura e costumes diferentes não é complicado?
WL: Como a maioria dos integrantes são atletas de ponta, há sempre conflitos. Muitos sabem como deve ser feito tecnicamente, mas no circo tem ainda o lado artístico que conta muito. Às vezes a pessoa demora para fazer a transição de atleta para artista.
Abril: E para você foi fácil?
WL: Cara, eu já nasci assim. Um palhaço. Acho que quando saí da barriga da minha mãe eu falei: "e aí doutor? Beleza?" (risos)