20/11/2006 - 15:27 (atualizada em 03/09/2008 23:26)
Adolescentes não passam uma semana sem ler mangás
Marianne Nishihata
A febre dos mangás atingiu o público jovem brasileiro e criou novas manias entre eles: desenhar quadrinhos japoneses, vestir-se como os seus personagens favoritos (os chamados cosplays) e colecionar os quadrinhos.
Os quadrinhos fizeram também com que os adolescentes descendentes de japoneses se interessassem mais pela cultura oriental e consequentemente os não orientais também.
As aulas de japonês tiveram aumento de alunos, interessados em conseguir ler os mangás em seu idioma original e os eventos relacionados a mangás e animês não páram de crescer: Anime Friends e AnimeCon levam quase 40 mil visitantes a cada edição.
Yara de Moraes Santos, 12 anos, adora mangás mais agitados como Inu Yasha, Ragnarok e Sakura. "Quase não passo uma semana sem ler mangá. Tive influência de amigos orientais e faz tempo que eu gosto dos quadrinhos", disse.
Sua prima, Luiza de Moraes Madeira, 14 anos, também é fã dos quadrinhos, mas de histórias mais calmas. "Gosto de Love Hina, Onegai Teacher e XXX Holic, que envolve a Sakura", revela.
Coleções
Uma das reclamações dos leitores é que nem sempre seus mangás favoritos têm sua coleção completa publicada no Brasil. O motivo é simples: nem no Japão eles terminaram de ser lançados.
O Lobo Solitário, da Panini, é um desses exemplos. A coleção ainda está sendo lançada e vai ter 28 volumes no total. No Brasil, está sendo lançada a edição 23. "É uma obra que mesmo sendo localizada temporalmente na era Edo e revelar valores muitos caros para o período em que foi criada (1970-1976) conseguiu revelar-se superior a limitações de tempo e espaço e sensibilizar milhões de leitores ao redor do mundo", conclui Marcio Borges.
Outro exemplo é o Evangelion, da Conrad. A história virou anime e ainda não terminou de ser lançada. "Os leitores compreendem que o autor precisa de tempo para criar algo tão complexo e é por isso que gostam tanto de Evangelion, pois sentem que ele não é resultado de uma linha de produção", finaliza Rogério de Campos.