24/10/2006 - 13:52 (atualizada em 03/09/2008 23:29)
Brasil é rota obrigatória para B.B.King
Guitarrista fez questão de incluir o país na última turnê após construir histórico de apresentações históricas
Danilo Valentini
A inclusão do Brasil no roteiro da (anunciada) última turnê internacional de B.B. King não é mera coincidência. O país já foi palco de apresentações memoráveis do guitarrista, que veio para cá muito mais vezes do que a história parece lembrar.
Os shows da década de 1990 são os mais facilmente lembrados. Mas tudo porque bem antes B.B. King já havia visitado o país, cativado platéias com um apelo quase mítico, já que até meados dos anos 1980 o mercado do blues fosse quase desconhecido no Brasil. O artista, porém, já era a referência para quem tinha a mínima idéia do que fosse blues.
A estréia de B.B. no Brasil, em São Paulo (1980), acentuou ainda mais a imagem de uma lenda viva que vinha tocar em um país que vivia a última fase de um regime militar que limitou demais a entrada de informações, fossem elas até musicais.
A escalação do 2° festival Internacional de Jazz teve de tudo, mas pouco jazz, como comprovaram os shows da ascendente figura do reggae jamaicano, Peter Tosh, o deslumbramento tropical de A Cor do Som e o trio elétrico dos lendários Dodô e Osmar. De representantes da música negra norte-americana, como o bluesman Champion Jack Dupree, a pianista Mary Lou Williams e o próprio B.B. King.
A variedade, por outro lado, combinou perfeitamente com a festa disponibilizada por B.B. King e sua orquestra. Hippies coloridos faziam parte de um cenário de catarse no Palácio das Convenções do Anhembi, que teve seu palco invadido várias vezes. O guitarrista, se divertindo muito, jogava palhetas e até autografava uma guitarra surgida do meio da multidão.
Blues
O aumento do interesse pelo blues no país, gerada por surgimento de festivais anuais que traziam nomes respeitáveis como Buddy Guy, Junior Wells e Koko Taylor, acabou se tornando interessante para uma nova chegadinha de B.B. King ao Brasil, em 1989.
Uma dos primeiros astros internacionais de destaque de uma nova casa de shows paulistana (Olímpia), B.B. King enlouqueceu a platéia, e depois até recebeu Pelé em seu camarim para uma sessão de sorrisos e fotos.
Mas o estreitamento da relação mais próxima do artista com o país ainda estava para surgir, em 1993, quando foi escolhido como convidado de honra para os shows de inauguração de outra casa em São Paulo -o Bourbon Street-, B.B. King virou espécie de padrinho do local, tendo até hoje um exemplar de sua guitarra 'Lucille' exposta no salão de shows.
O bluesman ainda viria em 1994, quando tocou no insólito palco do Velódromo da Cidade Universitária, como atração principal de um dos dias do Free Jazz Festival - James Brown era o outro carro-chefe do evento - e em 1998.
Sua última passagem, em 2004, foi além do eixo Rio-São Paulo, com apresentações disputadas em Brasília e Curitiba, onde os ingressos se esgotaram em apenas duas horas após a abertura das bilheterias.