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Diversão

10/10/2006 - 18:29 (atualizada em 03/09/2008 23:36)

Fãs da Legião Urbana permanecem fiéis após 10 anos sem Renato Russo

Letras sensíveis são o principal argumento para o fascínio pela banda

Guilherme Massa
Ídolo é uma entidade superior, com algum talento admirável, digna de veneração e distante das pessoas comuns. Por esta definição, Renato Russo não pode ser considerado um ídolo. Ao menos, é isso que acredita Mônica Gomes, líder do fã-clube Todos Numa Só Legião: "ele está perto das pessoas. Sua poesia reflete os sentimentos de cada um e suas letras passam a ser de quem está cantando", explica.

Avice-presidente do fã-clube Filhos da Revolução, Amanda Mendonça, completa: "ele é o maior ícone do rock brasileiro dos anos 80! Tinha personalidade forte. Tanto ele como a Legião eram verdadeiros com o que faziam. A banda conduzia sua própria carreira", acredita Amanda.

A proximidade com o público e a simplicidade das letras são os maiores motivos que fizeram de Renato Russo uma entidade da música no Brasil. "Ele era dono da melhor voz do rock brasileiro. Tudo isso somado aos números todos que a Legião conquistou e à influência deles em muita gente, dá um grande cacife pra ter o título de maior ícone do rock brasileiro dos anos 80", conta Fernanda Takai, vocalista do grupo Pato Fu e aficcionada pelo trabalho de Renato.

Ela conta com entusiasmo o primeiro encontro pessoal com a Legião Urbana, em 1995, durante um show em Belo Horizonte: "Eles diziam conhecer a gente e gostarem do Pato Fu, deu uma sensação de estarmos entrando num mesmo universo.... Era bom perceber que eles sabiam da nossa existência. Isso é, no mínimo, o que um fã quer".

Mais tarde, o grupo mineiro foi chamado para fazer duas letras para o primeiro álbum solo de Marcelo Bonfá, o baterista e um dos fundadores da Legião. "Ficamos muito felizes por ele ter se lembrado de nós a ponto de nos querer como parceiros", lembra Fernanda.

Músicas atuais

Uma qualidade de Renato Russo foi ter escrito letras atuais (o próprio cantor reconhece isso antes da faixa "Mais do Mesmo", no CD Acústico MTV). Amanda Mendonça reforça outros pontos fortes: "a diversidade dessas letras: de amor, de protesto, de tristeza, de alegria. As músicas de hoje são descartáveis, não dizem nada".

As melodias se fixavam em acordes básicos, o que, segundo Mônica Gomes, é reflexo da influência do punk rock: "a banda sempre vislumbrou um som direto e simples. Estas músicas eram, inicialmente, tocadas para amigos, em bares precários, em qualquer lugar. Tinha que ser simples", analisa a líder do fã-clube Todos Numa Só Legião.

A vocalista do Pato Fu reforça que as músicas, apesar de fáceis de serem tocadas, não eram inferiores, o que ajudou a popularizar a banda. Para tocar os grandes sucessos da Legião, não eram necessárias muitas aulas de violão.

Marcelo Bonfá sabe da importância e do talento de Renato Russo, mas lembra que as músicas eram resultado do trabalho da banda inteira. Na hora de compor, de acordo com o baterista do grupo, "era tudo mágica e rebeldia".

A morte de Renato

Cada fã recebeu a notícia da morte de Renato de uma forma. "Eu soube através do rádio, somente ao meio-dia, quase 12 horas depois de ele falecer. Foi muito triste e repentino, desnorteou a todos", conta Mônica Gomes. Fernada Takai, do Pato Fu, soube após um show com Chico Science & Nação Zumbi e diz que foi um choque, porque ninguém sabia que Renato Russo estava doente.

Amanda Mendonça, vice-presidente do fã-clube Filhos da Revolução, recorda a tristeza pela morte do cantor: "devo ter chorado uns dois dias sem parar e nos meses seguintes toda vez q ouvia alguma música da Legiao eu chorava tb. Sei de muita gente, pela troca de experiencia no fã-clube, que não aceita, e que nem gostava de Legião na época". Ela cita os versos de "Love in the Afternoon", do álbum , para explicar o sentimento dos milhões de fãs: "é tão estranho, os bons morrem jovens, assim parece ser quando me lembro de você que acabou indo embora cedo demais".

Bonfá, ao contrário, presenciou a dor do amigo até o fim: "eu não fiquei sabendo da morte do Renato, eu vivi em parte o seu drama até sua morte. Quem pode reclamar a morte? Acho que ele cumpriu sua missão sim e a custos bem elevados!", desabafa Marcelo.

 

Por CLIMATEMPO

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