Diversão

15/09/2006 - 14:57 (atualizada em 03/09/2008 23:35)

Sudoku começa a ganhar fãs no Brasil

Regras simples e desafiadoras são o principal atrativo

Guilherme Massa
O caminho do Sudoku foi longo até desembarcar no Brasil: teve suas origens na China antiga, foi finalizado nos Estados Unidos, se difundiu no Japão, virou uma febre na Inglaterra para então conquistar o mundo e chegar até aqui.

A forma com que cada pessoa tem o primeiro contato com o passatempo não podia ser menos curiosa. O arquiteto Harry Finger, 49 anos, curtia férias em Israel na casa de parentes, quando viu uma sobrinha jogando Sudoku e se interessou. "No começo, parece impossível, mas acaba ficando mais desafiador que as cruzadinhas", conta Harry.

Para o professor de Matemática, Cláudio Possani, existe uma justificativa para isso: "O Sudoku não exige contexto, não precisa ter bagagem cultural, é raciocínio lógico puro. E o ser humano adora lógica". Cláudio foi apresentado ao jogo pela colega de trabalho, Deborah Raphael, há pouco mais de um ano e se apaixonou pela brincadeira. "Gosto por três motivos: simpatizei com o jogo, sou fã de desafios de lógica e pelo lado pedagógico", explica o professor.

Deborah, também professora de Matemática, acha que muita gente ainda não sabe jogar: "Falta uma estratégia, a maioria vai chutando os números e não enxerga como completar os espaços". Mas ela acredita que o interesse pelo Sudoku está crescendo, especialmente entre quem nunca ouviu falar do passatempo.

O estudante Tiago Serafim, 21 anos, começou a jogar Sudoku no primeiro semestre de 2005 e decidiu criar o primeiro site em português com a diversão online. "Eu jogava na web. Procurei na Internet algumas ferramentas para me ajudarem a montar a minha página e todo mundo gostou do resultado", conta Tiago. Apesar disso, ele prefere a praticidade de jogar Sudoku no papel, em revistas ou imprimindo alguns jogos de sites.

O mundo da informática também foi a maneira que o analista de sistemas Evandro Oliveira Neto, 35 anos, expressou seu amor pelo Sudoku. Ele já gostava da brincadeira há dois anos, antes mesmo do passatempo chegar a Inglaterra. "Você fecha um jogo e sempre quer fazer mais um", comenta Evandro.

Entusiasta de desafios de matemática e raciocínio lógico (já viciou até em Campo Minado), Evandro desenvolveu um software de código aberto que constrói novas grades de Sudoku de várias dificuldades. Sua próxima empreitada é elaborar um Sudoku que possa ser jogado coletivamente. "Sempre gostei de testar minha rapidez para resolver, mas muita gente pedia um Sudoku em grupo", diz Evandro.

As revistas de Sudoku começaram a ser publicadas no Brasil no final de 2005 e ganharam muitas variações do jogo tradicional de 9x9 quadrados. A Coquetel tem oito títulos exclusivos do passatempo, com tiragem média de 30 mil exemplares.

A Conrad, por sua vez, aposta nas variantes do jogo e procura colocar informações sobre a história do Sudoku nas revitas, que tem tiragem média de 25 mil exemplares. Segundo Marcelo Sales, editor de Sudoku da Conrad, a faixa etária do público que mais consome os jogos é bastante grande, mas em geral são pessoas acima de 25 anos que compram as revistinhas.

 

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