01/08/2006 - 13:38 (atualizada em 03/09/2008 23:32)
Ragnarok é febre no Brasil
Game já foi testado por 1,5 milhão de pessoas por aqui e tem cerca de 30 milhões de fãs pelo mundo
Guilherme Massa
Nos quatro primeiros meses, o jogo rodava gratuitamente nos servidores da Level Up!, empresa que distribui o Ragnarok no país, reunindo 11 mil usuários simultâneos. A partir de fevereiro de 2005, porém, a empresa adotou um modelo de negócios por créditos eletrônicos ou cartões pré-pagos, consumidos por horas de jogo ou dias livres para jogar. Surpreendentemente, o número de aficionados cresceu, com picos de até 20 mil concectados.
"É um serviço inovador. Os jogadores perceberam que é um game bacana e estão dispostos a pagar por uma boa diversão", comenta Júlio Vieitez, 28, gerente de marketing da Level Up!. Ele lembra que Ragnarok tem um apelo muito global e jovem, capaz de conquistar público de várias idades e lugares do mundo. Marcio Vivas, editor do site FinalBoss (especializado em games), concorda que o preço não pesou muito na opinião das pessoas. "É um jogo para público restrito, que quer gastar".
Atender aos usuários é a grande meta da equipe da Level Up!, que mobiliza trinta pessoas para o atendimento dos jogadores e procura sempre lançar promoções, eventos dentro do game e parcerias com outras empresas, como o cereal Crunch e a Blockbuster. "Quem paga tem o direito de exigir um bom game", comenta Marcio Vivas.
Andrea Bedricovetch, 32, diretora geral da Level Up!, recorda o sucesso da iniciativa de Reveillón em Rune Midgard (o cenário onde o jogo se passa), quando 6 mil se reuniram para confraternizar. "Fizemos uma grande festa com fogos. Os personagens ficaram sentados, observando, e desejando Feliz Ano Novo uns para os outros", conta Andrea. Ela também lembra que os jogadores adoram discutir nos fóruns que eles mesmos abrem no jogo, como forma de buscar dicas de localização de itens raros.
A interação entre os jogadores é o ponto forte do jogo. Com gráficos mais simples que os games online atuais, Ragnarok aposta no conceito de comunidade virtual, ainda escasso no mundo das diversões eletrônicas no Brasil. "Um alto fator de diversão e a possibilidade de encontrar pessoas diferentes a cada vez que se joga aumentam a longevidade do produto", afirma o editor do FinalBoss.
O editor da EGM Brasil (a publicação voltada para os games mais respeitada no país), Pablo Miyazawa, garante que o trunfo de Ragnarok se deve a outras coisas. "É um jogo viciante, que a pessoa não consegue parar de jogar". Pablo afirma que o jogo chegou aqui no momento em que o mercado brasileiro estava sedento por um título que permitisse grande comunicação entre os participantes. "Brasileiro adora comunicadores instantâneos, adora conversar. Ragnarök atendeu a um filão que estava vago", defende Miyazawa.
Júlio Vieitez reforça que Ragnarok, por ser um jogo leve, roda na maioria das máquinas, aumentando seu público no Brasil, onde nem todos os jogadores têm um computador poderoso. Além disso, os jogos que misturam RPG (jogo em que pessoas interpretam personagens em histórias inventadas) com MMOGs (games jogados somente na web e por muitos jogadores ao mesmo tempo), conhecidos como MMORPGs, estão em alta no mercado mundial, o que motivou a procura pelo produto.
Ragnarok foi criado na Coréia do Sul pela produtora Gravity e hoje conta comcerca de 30milhões de jogadoresmais de 40países. A Level Up! é responsável pela distribuição e manutenção do jogo no Brasil, Índia e Filipinas, com a sede da empresa em São Paulo.