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Diversão

07/12/2005 - 15:56 (atualizada em 03/09/2008 23:27)

Shows dos Beatles em estádios levavam fãs à loucura

Época em que os Beatles faziam shows em grandes estádios. Às vezes, faziam dois shows no mesmo dia, em péssimas condições de segurança, apenas com seus amplificadores de 100 watts, sem mesa de som, sem caixas de retorno. Ringo mantinha-se firme marcando o tempo das músicas sem escutar nada, "olhando para aqueles três traseiros e tentando descobrir em que parte das canções a gente estava", como lembra.

Mas as drogas estavam tendo um espaço muito grande na vida dos cantores. Durante um jantar, John e George experimentaram LSD. Anos depois, Lennon contabilizava que já havia viajado de ácido "umas mil vezes".

David Crosby, guitarrista deste grupo, apresentou a George Harrison a música do citarista indiano Ravi Shankar - George gostou tanto que acabou comprando uma cítara.

Quando, em 12 de outubro, a banda entrou em estúdio para iniciar as gravações de seu sexto álbum, já era muito diferente daquela dos tempos de "Love Me Do". Eminentemente acústico, Rubber Soul abusava de sofisticadas harmonias vocais ("Nowhere Man"), melodias complexas ("Drive my Car"), instrumentos pouco ortodoxos como o cravo ("In My Life"), distorção fuzz no baixo elétrico ("Think for Yourself") ou a cítara ("Norwegian Wood").

Se já era uma aventura tocar "I Wanna Hold Your Hand" ao vivo nas condições em que a banda se apresentava, com o novo material se aproximava do terreno do impossível. As delicadas harmonias de Rubber Soul, a sutileza de "Yesterday", o harmonium do single "We Can Work It Out", tudo se perdia no meio da gritaria.

Foi em Tóquio, no Japão, que o grupo finalmente conseguiu ouvir pela primeira vez em muito tempo o que tocavam.

Isso porque no arquipélago a polícia vigiava e reprimia qualquer manifestação mais brusca por parte do público. E eles não gostaram nada do que ouviram, especialmente as músicas com vocais mais refinados, como "Paperback Writer" e "Nowhere Man".

As sessões de estúdio que se iniciaram em abril não pareciam solucionar o impasse para resolver como arrumar as músicas.

O golpe final no processo de "destruição" da imagem juvenil veio no final de julho, com a revista Datebook. Entre as manchetes, uma frase de John Lennon: "Eu não sei o que vem antes, se o rock'n'roll ou o cristianismo". No interior da revista, outra bomba: "Nós somos mais populares do que Jesus Cristo". Foi o bastante para que emissoras de rádio do sul dos Estados Unidos organizassem fogueiras com discos dos Beatles.

Na verdade, a frase destacada pela Datebook fora retirada de uma entrevista concedida por Lennon, na qual ele respondia sobre o recente interesse da banda na cultura indiana. O assunto chegou à religião e o músico defendeu que o cristianismo formal estava, pouco a pouco, afastando os jovens de seus cultos. E citou os Beatles como exemplo de algo que despertava mais interesse no público jovem. Na Inglaterra, a reportagem foi publicada quase cinco meses antes e, dentro de seu contexto original, não despertou nenhum alarde. Nos Estados Unidos, entretanto, foi um escândalo. Brian teve de ir até Nova York para se explicar, Lennon veio a público dizer que não havia se comparado em grandeza com o Salvador, etc.

A turnê americana de 1966, com 17 shows iniciados em agosto, foi um martírio. O disco mais recente da banda, Revolver, era quase todo irreproduzível naquelas condições. Todo contato com a imprensa girava em torno da polêmica "maiores do que Jesus".

Em 29 de agosto daquele ano, a banda tocou em São Francisco, no Candlestick Park, para 25 mil fãs. Seria a última apresentação comercial da banda.

Ao deixarem os Estados Unidos, cada beatle foi para seu canto. Pela primeira vez, sentiam a alegria de ficarem sem se ver.

Os quatro só se reencontraram em novembro e, sem os limites impostos por uma formação básica de rock deram asas à imaginação. O primeiro fruto das sessões só viria a público em fevereiro de 1967, sob imensa expectativa. O single Penny Lane/Strawberry Fields Forever foi o primeiro disco dos Beatles em muitos anos a não chegar ao primeiro posto da parada inglesa (ficando em número 2 na Grã-Bretanha e número 1 nos Estados Unidos).

Os boatos sobre o fim do grupo - ou no mínimo de um impasse criativo - não paravam. Tolice: o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band foi lançado no dia 1º de junho após nove meses de meticulosa preparação, vendendo 250 mil exemplares em menos de uma semana. Marco do nascente movimento hippie, é, até hoje, é um dos maiores best-sellers de todos os tempos.

O grupo integra-se totalmente na contracultura psicodélica que nascia e vai ao País de Gales assistir às palestras do guru Maharish Mahesh Yogi. Lá recebem uma notícia: Brian Epstein havia morrido de overdose.

Fonte: revista Bizz

 

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