30/09/2008 - 18:47 (atualizada em 30/09/2008 18:53)
Cólica menstrual reduz 70% da produtividade das brasileiras no trabalho
Pesquisa mostra que dismenorréia afeta rendimento das mulheres
Da Redação
A cólica menstrual afeta em torno de 65% das mulheres brasileiras e causa a redução de produtividade profissional em 70% delas. Esses índices são resultados do primeiro estudo farmacoeconômico brasileiro sobre a prevalência da dor menstrual e seus impactos na produtividade no trabalho.
Batizado de Disab (Dismenorréia & Absenteísmo no Brasil), o estudo, realizado pela empresa MedInsight, mostra que a idade média das mulheres que trabalham e sofrem de cólica menstrual é de 26,3 anos e que na escala de dor, o maior índice apontado foi para a dor intensa, 64,4% - índice 14,4% maior que a média mundial. Em segundo lugar vêm às dores moderadas 30,1% e na seqüência as dores leves com 5,5%. O trabalho entrevistou 156 participantes em idade reprodutiva, superior a 18 anos.
A pesquisa avaliou o impacto da doença no rendimento profissional e quantificou seu custo. Os elevados índices de dor menstrual levam 30% das mulheres a se ausentarem do trabalho por pequenos períodos durante o dia. Quando analisado o impacto negativo no percentual nas horas trabalhadas, a redução é de 66,8% no rendimento. Os resultados totalizam cerca de duas faltas por mês, da média dos cinco dias do ciclo.
As mulheres relatam, ainda, a freqüência dos sintomas associados às cólicas, o que possibilitou traçar incidências como cansaço maior que o habitual (59,8%), inchaço nas pernas, enjôo (51%), cefaléia (46,1%), diarréia (25,5%), dores em outras regiões (16,7%) e vômito (14,7%). 83% delas declararam que buscam alguma forma medicamentosa (antinflamatórios, analgésicos e antiespasmódicos) para alívio das dores. Mais da metade relata obter melhora grande ou completa da dor menstrual, sendo que nenhuma delas deixou de obter alívio algum.
"Este estudo permite concluir que a dismenorréia primária e a intensidade da cólica menstrual são fatores fortemente associados à perda de produtividade no trabalho profissional e na realização das atividades entre mulheres brasileiras durante o seu período de vida produtiva", diz o ginecologista César Eduardo Fernandes, chefe do serviço de Clínica Ginecológica da Disciplina de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina do ABC, de São Paulo.