17/09/2008 - 08:23 (atualizada em 17/09/2008 08:34)
"Desfile não é investimento com retorno imediato", defende Marcelo Quadros
Estilista pulou o SPFW mas sua marca está prestes a abrir uma loja própria
Jorge Wakabara
Passarela é uma febre que, ao que tudo indica, não vai passar tão cedo. No Brasil, recentemente, tivemos o Teen Fashion, dedicado à moda adolescente; o Barra Fashion Bahia de Salvador; e um novo evento em Vitória, Espírito Santo. Nessa quarta-feira começa o Capital Fashion Week, em Brasília. No exterior acontecem, nesse momento, a Semana de Moda de Londres, a da Nova Zelândia e a de Madrid. E vale a pena desfilar agora?
Marcelo Quadros, que já fez parte do SPFW, pulou a última edição. “Um desfile não é um investimento com retorno imediato. É claro que para o criador fazer um desfile é tudo, mas hoje o tudo para mim está sendo receber, vender. Como exposição, vale a pena, se o seu negócio já está bem estruturado”, ele contou nessa segunda-feira, durante o lançamento do verão 2009 de sua marca. Há um ano, o estilista contou com investimento financeiro e operacional e agora se prepara para a abertura de um ponto de venda próprio em São Paulo. Confira a entrevista:
Abril.com: Você vendeu a sua marca? Marcelo Quadros: Não. A marca Marcelo Quadros continua sendo minha. Desde setembro do ano passado, o que aconteceu foi uma sociedade que trouxe investimento financeiro e operacional. Eu cedi o uso da marca para uma segunda empresa, minha e dos sócios, com algumas condições.
Que tipo de condições? Se ocorrer mudanças nessa segunda empresa, por exemplo, a marca Marcelo Quadros não pode mais ser usada por ela.
Que tipo de investimento operacional foi feito? Agora eu tenho consultor financeiro, consultor de marketing. O mundo é dos especialistas, não adianta lutar contra isso e achar que dá para você mesmo fazer.
Atualmente, como está o tamanho da marca Marcelo Quadros? Possuímos duas linhas, a Casual e a Evening, sendo que essa última é demi-couture, ou seja: a cliente vem, escolhe o modelo de vestido, a cor que ela quer e oferecemos uma prova de roupa. Ela traz o sapato que vai usar com o vestido e fazemos a barra e algum ajuste necessário. E isso com despretensão, estamos cansados da pretensão que a moda tem. Sabemos quem é o nosso público, com quem estamos falando. Atualmente a coleção inteira da marca tem 250 itens ao todo, alguns com maior quantidade de produção, outros menos – mas vende tudo.
E você também faz vestidos de noiva... De dez a doze noivas por mês.
Tem alguma coisa que elas pedem mais, atualmente, e não pediam? É muito eclético, tem uma que vai casar em Fernando de Noronha de rasteirinha, então não pode arrastar no chão, tem que ser longuete. Às vezes elas pegam um dos vestidos prontos e dizem: “quero esse em branco”.
Quantos pontos de venda você tem atualmente? Oitenta nacionais e oito internacionais, como Portugal, Espanha, Itália, França, Emirados Árabes, Síria, Líbano... A gente quer uma loja própria. Provavelmente até junho do ano que vem, abriremos. Está tudo fechado, é só uma questão de encontrar o ponto certo porque o investimento é grande.