27/08/2008 - 10:09 (atualizada em 03/09/2008 23:59)
Viajar sozinha traz autoconhecimento e maturidade
Ao ficar só, pessoas tomam decisões baseadas apenas no que pensam e sentem, sem influências externas
Da Redação
Aos 25 anos, a repórter Isabel Malzoni resolveu que era hora de ir para a Europa. Sozinha. Há algum tempo ela já pensava em fazer esta viagem. “Sempre ouvi que viajar amplia os horizontes”, conta. Apesar de todas as inseguranças e a falta de apoio da família e dos amigos, ela resolveu trancar todos os receios e seguir o coração. Descobriu que podia conhecer muito mais do que lugares diferentes, conheceu a si mesma.
Segundo a psicóloga Elizabeth Polizzi, em reportagem no site da NOVA, isso acontece porque “quando você está só, longe das referências e influências do dia-a-dia, toma atitudes baseada somente no que você pensa e sente”. Ela conta que é ótimo dividir experiências com alguém querido, mas quando se está só (o que não significa estar solitária), fica-se mais aberta para entrar em contato com nossas vontades e sentimentos.
Ter de se virar sozinha em algumas situações também ajuda a exercitar o jogo de cintura. “Quando você pode contar apenas consigo mesma, a saída mais inteligente é acreditar que vai dar conta do recado. Agindo assim, combate o medo. E, ao resolver o pepino, fica com a sensação de superação e independência”, diz Cristiana Pereira, terapeuta do Instituto de Terapia Familiar.
Correr riscos, ainda que controlados, traz emoção e a torna mais corajosa. A estudante de comércio exterior Isabella Fragoso, viveu esse aprendizado na pele. Ela voou para a Austrália a fim de estudar inglês. Três semanas depois de chegar, soube que não poderia mais morar com a amiga que prometeu hospedá-la. Por acaso, encontrou um grupo de oito rapazes brasileiros em uma sorveteria. Percebeu que não dava para deixar a vergonha atrapalhar ou acabaria dormindo na rua. Tomou coragem e perguntou se sabiam de algum lugar para ela ficar. Eles ofereceram a casa deles. “Nunca me imaginei convivendo com tantos homens. Meu pai sentiu até raiva de mim. No fim deu tudo certo e aprendi que quem tem boca vai longe”, conta.
“Ninguém volta igual de uma experiência dessas. Os horizontes se expandem inevitavelmente”, avalia a psicóloga Elizabeth. A maturidade vem com a superação de limites e a descoberta da sua verdadeira personalidade.