Mulher

22/08/2008 - 12:52 (atualizada em 03/09/2008 23:59)

Rendimento escolar baixo denuncia violência doméstica

Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) faz um mapa da agressão em casa

Carol Hungria

Quem acompanha a novela “A Favorita”, da Globo, sofre junto com as crianças de Catarina (Lilia Cabral) e Leonardo (Jackson Antunes), os jovens Domenico (Eduardo Mello) e Mariana (Clarice Falcão). Os dois, que vivem em um ambiente familiar permeado pela violência gerada por um pai agressivo, têm diversos problemas psicológicos. Domenico, por exemplo, quase não consegue se comunicar com os outros e, muitas vezes, resolve fica mudo por semanas seguidas. Já Mariana está indo mal na escola e não consegue melhorar o desempenho.

Identificar uma criança que sofre com a violência doméstica é uma das grandes dificuldades de agentes sociais, informa recente pesquisa realizada pelo Programa de Assistência Primária de Saúde Escolar (Proase), da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP). Segundo uma das coordenadoras do trabalho, Maria das Graças Bomfim de Carvalho, muitos profissionais que atuam na proteção de crianças e adolescentes ignoram os sinais mais evidentes da violência.

“A própria situação da criança ou adolescente denuncia a sua condição. Eles estão sempre acuados, não apresentam rendimento adequado na escola, ficam praticamente deprimidos e, ainda, muitos se mostram agressivos com os colegas. Essas são mostras de sofrimento de violência doméstica. É importante a sociedade ficar atenta a essas atitudes”, alerta a especialista.

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Domenico (Eduardo Mello) e Mariana (Clarice Falcão), que sofrem com a violência do pai em "A Favorita"

Segundo Maria das Graças é comum que, uma vez em abrigos do Estados, crianças que são vítimas de violência se recusem a voltar para casa. Para ela, este fato reforça que, para prevenir e combater o problema social, não adianta trabalhar somente em cima do adolescente ou da criança. “É fundamental inserir a família nessas ações”, diz.

Hoje, lembra a pesquisadora, as famílias têm novas composições, com padrastos, madrastas ou mães solteiras, que atuam como mãe e pai ao mesmo tempo. “Essa dupla função e toda a responsabilidade pode levá-la a ficar muito estressada, o que pode ser um fator de desencadeamento da violência.”

Para Maria das Graças, a solução para o problema está na atuação conjunta de vários grupos ligados à questão social. A escola precisa se unir ao governo e as ONGs para propor ações mais drásticas para combater o problema. “Precisamos de uma rede muito maior para evitar a violência. As pesquisas precisam resultar em ações para evitar esse quadro”, finaliza.

*Foto: Divulgação

 
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