20/08/2008 - 17:05 (atualizada em 03/09/2008 23:59)
Família e amigos quebram o ciclo da violência doméstica
Lilia Cabral, a Catarina de “A Favorita”, acredita que sua personagem tem chance de dar a volta por cima com a ajuda dos pais e irmãs
Carol Hungria
A personagem da atriz Lilia Cabral em “A Favorita” (Globo), a sofrida Catarina, tem causado comoção entre os telespectadores. A maioria não se conforma com o fato de Catarina não conseguir sair do ciclo de violência que sofre em casa, protagonizado pelo agressivo Leonardo, seu marido, vivido pelo ator Jackson Antunes.
“Creio que a auto-estima de Catarina está tão em baixa que ela não consegue mais reagir a tamanha violência doméstica”, avalia Lilia Cabral. A artista conta que se baseou no noticiário diário de histórias de mulheres que sofrem agressões em casa para montar a sua personagem. “Infelizmente são muitos os casos no país”, lamenta.
Para Lilia, Catarina poderá, sim, reagir e abandonar o marido malvado, principalmente se ela se apoiar na família que tem. “Tudo o que o pai dela quer é que ela deixe o marido para trás e venha se refugiar em casa”, acrescenta.
Segundo o psicólogo Alexandre Bez, especializado em relacionamento, ansiedade e síndrome do pânico, a violência e a agressividade fazem parte da personalidade de um indivíduo. “Os atos dessa pessoas giram em torno de abuso, agressão e manipulação, com vontade de humilhar e deteriorar o outro”, enumera.
Uma pessoa é geralmente violeta por conta da criação que teve, já que o comportamento é adquirido. E também há o fator genético do temperamento violento, que é herdado.
Para Bez, em casos como a da personagem Catarina, que são muito comuns, a baixa auto-estima é um grande limitador da reação. “Se o lado emocional da pessoa que sofre a violência já estiver muito fragmentado, é fato que ela não terá forças para reagir à agressão”, afirma.
Em muitos casos, acrescenta o psicólogo Ailton Amélio da Silva, professor da USP (Universidade de São Paulo), o agredido não tem ao menos consciência da violência que sofre. "Os atos de agressão podem ser verbais e muitas pessoas podem deixar de caracterizá-los como uma violência real. Mas, no fundo, é a mesma violência", alerta.
Catarina ao lado de marido, Leonardo, em "A Favorita"
Segundo o especialista, é muito raro o caso de um homem violento que consegue contornar e combater esta agressividade. “Já é difícil para ele assumir que tem uma postura errada em relação à violência. Então, fica quase impossível mudar.”
Por conta disso é que a reação precisa vir da mulher. O primeiro passo para ela é buscar amigos e a família, pessoas em quem possa confiar, para se abrir e ganhar forças para reagir.
Em seguida, consciente do problema pelo qual está passado e dentro das suas limitações financeiras, fazer o possível para conseguir mudar. Mesmo que isso signifique abandonar o lar.
A separação é recomendada quando os benefícios trazidos pela relação são menores do que os malefícios. "E tem também o fator dos filhos, que devem ser poupados. Uma criança que vive em um ambiente familiar violento será, sem dúvida, um adulto marcado por traumas", diz Silva.
Divulgação/TV Globo
Catarina é deprimida com a violência que sofre em casa